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Adubação e Fertilidade Solo

Embrapa transforma lodo de estação de água em fertilizante; tecnologia ainda está em validação

Pesquisa da Embrapa transforma lodo de estação de tratamento de água em grânulos de fertilizante, mas a tecnologia ainda aguarda validação de campo e registro.

A Embrapa e a Sabesp desenvolveram um processo para transformar lodo de Estações de Tratamento de Água (ETAs) em grânulos de fertilizante de liberação lenta. O material recebe nitrogênio e potássio, e o processo hidrotérmico reduz o problema do alumínio presente no resíduo.

A novidade ainda não é um adubo para comprar e aplicar na lavoura. Os resultados positivos foram obtidos em laboratório e em casa de vegetação. Agora, a pesquisa procura empresas para montar um projeto-piloto industrial, validar o produto no campo e buscar o registro no Ministério da Agricultura e Pecuária.

Estação de tratamento de água, em imagem contextual sobre o resíduo estudado pela Embrapa
Estação de tratamento de água em imagem contextual. O estudo da Embrapa trata do lodo gerado por esse tipo de unidade, não de lodo de esgoto. Foto: Epm estamos ahi/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Como o lodo vira fertilizante

O lodo de ETA não é igual ao lodo de esgoto. Ele tem pouca matéria orgânica e pode concentrar sais de alumínio usados no tratamento da água. Em excesso, o alumínio livre prejudica as raízes e atrapalha a absorção de nutrientes, como o fósforo.

Na rota desenvolvida pela Embrapa, o resíduo passa por um processo hidrotérmico em condições controladas de temperatura e pressão. O resultado é um concentrado zeolítico, mineral à base de silício e alumínio, usado para formar grânulos com amido plastificado e ureia. A formulação também incorpora potássio.

O grânulo tem duas funções. Libera nutrientes de maneira mais lenta e pode servir de suporte para o Bacillus megaterium, bactéria benéfica às plantas. Segundo a Embrapa, os testes indicaram que essa proteção pode durar quase cinco meses.

O que os testes já mostraram

Em experimentos de casa de vegetação, gramíneas tratadas com o material apresentaram eficiência agronômica de até três vezes a observada nas plantas de controle. Esse resultado é de ambiente controlado. Não equivale a afirmar o mesmo ganho em milho, hortaliça, pastagem ou outra cultura no campo.

Essa diferença importa para quem produz em área pequena. Um resultado de bancada ajuda a decidir o que merece pesquisa, mas não substitui teste de dose, análise de solo, registro do insumo e recomendação para cada cultivo.

Por que a pesquisa interessa ao produtor

A Sabesp informa que gera cerca de 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano nas 208 ETAs que opera no estado de São Paulo. O transporte e a destinação custam, em média, R$ 300 por tonelada. Transformar parte desse passivo em insumo pode reduzir descarte e criar uma fonte alternativa de nutrientes.

Para o pequeno produtor, porém, o benefício ainda é futuro. A tecnologia precisa sair da escala de laboratório e passar por validação no campo. Também precisa cumprir as exigências para registro. Até lá, não há base para tratar qualquer lodo de ETA como fertilizante pronto.

O que não fazer na propriedade

Não aplique lodo recebido de estação de tratamento diretamente em canteiro, pomar ou pastagem. A composição pode variar entre unidades, e a presença de alumínio e outros sais exige processamento e controle. O estudo da Embrapa não autoriza o uso improvisado do resíduo.

Quem precisa melhorar a adubação deve continuar pelo caminho conhecido: análise de solo, recomendação técnica e uso de produto com origem e registro identificados. A própria qualidade da água no meio rural merece acompanhamento separado, porque água de irrigação e resíduo de ETA são assuntos diferentes.

Próximo passo é validar no campo

A equipe busca parceiros industriais para produzir em escala-piloto e testar a formulação em condições reais. Só depois dessa etapa será possível saber como o fertilizante se comporta em diferentes solos, culturas, doses e regimes de chuva.

A notícia é promissora como pesquisa de economia circular, não como solução imediata para a compra de adubo. Para a pequena propriedade, a decisão correta agora é acompanhar a validação e não trocar um insumo conhecido por um resíduo sem controle.

Fonte

Embrapa: lodo de tratamento de água vira fertilizante de liberação lenta em parceria com a Sabesp, publicada em 27 de outubro de 2026.

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