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Agricultura

Embrapa prepara 50 unidades de produção com água salobra no Semiárido

Projeto Sal da Terra terá 50 unidades em seis estados do Semiárido e cerca de 700 agricultores capacitados; primeira unidade na Paraíba deve sair em dezembro.

A Embrapa alinhou as ações do projeto Sal da Terra na Paraíba, iniciativa que vai instalar 50 unidades produtivas em seis estados do Semiárido e capacitar cerca de 700 agricultores familiares. A proposta é dar uso produtivo a águas salobras em comunidades atendidas pelo Programa Água Doce, sem tratar esse recurso como se fosse água comum de poço.

Na Paraíba, estão previstas 10 unidades. A primeira deve ser lançada em dezembro, em Sumé, no Cariri paraibano. O projeto trabalha com áreas de 0,5 a 2 hectares e combina pesquisa, capacitação e acompanhamento das comunidades.

Caprinos e ovinos diante de palma forrageira no Semiárido
Criação de animais diante de palma no Semiárido. Foto: Marcelino Ribeiro/Embrapa.

O que o projeto Sal da Terra vai fazer

O Sal da Terra começou a ser articulado em 2023 e foi lançado oficialmente no Semiárido Show de 2025. A execução começou em outubro de 2025 e terá duração prevista de três anos.

O trabalho tem duas frentes. A primeira é a pesquisa sobre culturas tolerantes à salinidade, forragens, mudas nativas, microalgas, qualidade do solo e da água. A segunda é a transferência dessa tecnologia para comunidades rurais, com visitas técnicas, capacitação e unidades demonstrativas.

A coordenação é da Embrapa, com parceria da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe). O projeto conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Finep.

Como serão as unidades na Paraíba

As 10 unidades paraibanas terão formatos diferentes. Quatro devem reunir horta, pomar e viveiros de mudas nativas da Caatinga. Outras cinco funcionarão como vitrines tecnológicas. A unidade completa terá também agricultura biossalina e criação de peixes e camarões.

Nas áreas mais completas, a irrigação usará água salina dentro de um sistema planejado. O projeto também prevê tanques para peixes e camarões. A escolha das culturas será feita com a comunidade e deve considerar a realidade local.

O modelo de consórcio citado pela Embrapa inclui algodão, gergelim, amendoim, feijão, fava e forrageiras para alimentação animal. Isso não significa que todas as culturas serão indicadas para qualquer propriedade. A composição depende da água disponível, do solo, do clima e do sistema instalado.

Quem poderá participar

O projeto prevê unidades em Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Bahia e Alagoas. As comunidades serão selecionadas ao longo da execução, depois de visitas técnicas que vão avaliar critérios sociais, ambientais e produtivos.

Também será necessário existir um sistema de dessalinização ligado ao Programa Água Doce. Portanto, a notícia não representa uma inscrição aberta para qualquer produtor do Semiárido. Quem tem uma pequena propriedade fora dessas comunidades não deve contar com atendimento automático nem montar uma unidade por conta própria.

O Programa Água Doce é uma política pública voltada ao acesso à água de qualidade para consumo humano por meio da dessalinização de águas subterrâneas. O Sal da Terra tenta avançar a partir dessa estrutura, aproveitando parte do potencial produtivo das águas e dos concentrados salinos com controle técnico e ambiental.

O que o produtor deve conferir antes de usar água salobra

A primeira providência é analisar a água. A publicação técnica da Embrapa indica a condutividade elétrica e a relação de adsorção de sódio como parâmetros importantes para avaliar salinidade e risco de sodificação. Também é preciso conhecer a tolerância da espécie que será cultivada.

Água salobra não serve para irrigar qualquer horta, pomar ou pastagem. O excesso de sais pode prejudicar a planta e alterar o solo. A decisão depende da qualidade da água, do tipo de solo, da drenagem, do clima, do manejo e da cultura.

Na prática, o produtor deve evitar três atalhos:

  • usar a água sem laudo e sem medir a salinidade;
  • repetir em outra lavoura uma combinação que funcionou em uma unidade demonstrativa;
  • aplicar o concentrado do dessalinizador no solo sem projeto, monitoramento e orientação técnica.

O projeto existe justamente porque ainda é preciso validar combinações de água, solo, planta e manejo. A Embrapa descreve a agricultura biossalina como uma alternativa que exige planejamento mais cuidadoso e controle mais rigoroso do que a irrigação com água de melhor qualidade.

O que muda para a pequena propriedade

Para as comunidades selecionadas, a novidade é a possibilidade de acompanhar uma unidade de produção, receber capacitação e testar soluções adaptadas ao Semiárido. Para os demais produtores, o ganho imediato é outro: saber que haverá referências técnicas locais antes de investir em irrigação com água salobra.

A recomendação é não transformar o anúncio em autorização para experimentar. Antes de bombear água salobra para uma horta ou um pomar, procure assistência técnica, faça a análise da água e verifique o risco para o solo. A unidade do Sal da Terra em Sumé e as demais vitrines do projeto devem ser acompanhadas como referência, não copiadas sem diagnóstico.

Perguntas rápidas

O projeto já abriu inscrição para qualquer agricultor?

Não. A seleção das comunidades ocorrerá durante a execução, com visitas técnicas e critérios sociais, ambientais e produtivos. A existência de sistema de dessalinização do Programa Água Doce também entra na escolha.

Quais culturas aparecem na proposta?

Na Paraíba, a Embrapa cita algodão, gergelim, amendoim, feijão, fava, forrageiras, hortaliças, fruteiras e mudas nativas. Algumas unidades também terão peixes e camarões. A lista não é uma recomendação geral para toda propriedade.

Posso usar água salobra na irrigação da minha lavoura?

Somente depois de avaliar a água, a cultura, o solo e o sistema de manejo. Sem esse diagnóstico, o risco de perder plantas e salinizar o solo pode superar a economia de água.

Fontes: Embrapa — atualização do projeto Sal da Terra na Paraíba; Embrapa — como funcionará o projeto; MIDR — Programa Água Doce.

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