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Agricultura

Embrapa seleciona aveia-preta para proteger vinhedos e lidar com excesso de cobre no solo

Pesquisa na Serra Gaúcha avalia cultivares de aveia-preta para cobrir o solo dos vinhedos, reduzir erosão e lidar com áreas que acumulam cobre. O resultado ainda não significa descontaminação do…

Uma pesquisa da Embrapa está selecionando cultivares de aveia-preta para cobrir o solo de vinhedos da Serra Gaúcha. A aposta mira dois problemas da região: erosão em áreas de encosta e acúmulo de cobre depois de anos de uso de fungicidas à base do metal.

O dado ajuda quem produz uva em terreno inclinado, mas não autoriza uma troca automática de manejo. Em área sem cobertura vegetal monitorada por 12 anos, o solo perdido chegou a aproximadamente 20 centímetros. Em outro experimento, a infiltração de água foi de 140 milímetros por hora com cobertura e caiu para 17 milímetros por hora sem cobertura.

Pesquisadores e produtores observam plantas de cobertura em uma área de avaliação
Dia de campo avalia plantas de cobertura em condições de produção. Foto: Henrique Pessoa dos Santos/Embrapa.

Por que o solo entrou no foco

A viticultura da Serra Gaúcha ocupa áreas de solo raso e declividade acentuada. Segundo a Embrapa, algumas encostas chegam a 30%. Quando a chuva escoa sem encontrar uma cobertura, leva terra, água, fertilizantes e defensivos para as partes mais baixas do terreno.

O segundo ponto é o cobre. O metal é usado em produtos como a calda bordalesa, especialmente no manejo de doenças da videira. Aplicações contínuas podem elevar sua concentração no solo. Em excesso, o cobre pode afetar raízes, absorção de nutrientes, germinação, crescimento e fotossíntese.

Onde a aveia-preta pode ajudar

O azevém é uma cobertura tradicional sob as videiras, mas a Embrapa relata aumento de populações resistentes a herbicidas. Isso dificulta o controle e pode elevar o custo do manejo. A aveia-preta aparece como alternativa porque forma volume de matéria verde e pode proteger o solo no período de maior chuva.

Nos ensaios, o cobre ficou principalmente nas raízes da aveia-preta, com pouca translocação para a parte aérea. Esse comportamento interessa porque pode reduzir a disponibilidade do metal no sistema solo-planta e ajudar a manter a cobertura em áreas onde o excesso de cobre limita o desenvolvimento de outras plantas.

A pesquisa também avalia o material em propriedades vitícolas, com participação de produtores ligados às cooperativas São João, Nova Aliança e Aurora. Essa etapa serve para observar o desempenho em condições reais, não apenas em ambiente controlado.

O que ainda não dá para prometer

A aveia-preta não foi apresentada como solução para descontaminar o solo. Os pesquisadores dizem que ainda são necessários estudos complementares. O resultado atual é a identificação de materiais com tolerância ao cobre e potencial para cobertura, conservação do solo e redução da mobilidade do metal.

Também não é seguro tratar uma cultivar avaliada na Serra Gaúcha como recomendação para qualquer região, tipo de solo ou cultura. O excesso de cobre, a declividade, o regime de chuva e o sistema de condução do vinhedo mudam a decisão.

O que o produtor deve conferir na propriedade

  • Se há faixas de solo descoberto entre as linhas e sinais de enxurrada depois de chuvas fortes.
  • Se o histórico de uso de fungicidas cúpricos justifica pedir análise de solo com avaliação do cobre.
  • Se a assistência técnica local conhece o comportamento da aveia-preta na região e pode orientar cultivar, época e manejo.
  • Se a cobertura será compatível com as operações do vinhedo, sem criar competição ou atrapalhar o trânsito de máquinas.

Para o vinhedo em encosta, a notícia reforça uma decisão que costuma ser mais barata do que recuperar erosão: não deixar o solo exposto. A aveia-preta merece acompanhamento como alternativa, mas a escolha deve vir depois da leitura do solo e das condições locais, não antes.

Fontes

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