Pular para o conteúdo
Agricultura

Nanofertilizante de caroço de açaí aumenta crescimento de milho e sorgo em testes

Pesquisa da Embrapa e da UFC usa caroço de açaí para produzir nanofertilizante. Testes em laboratório apontam ganhos de crescimento, mas a tecnologia ainda não está pronta para uso direto…

Um nanofertilizante feito com caroço de açaí aumentou o crescimento de milho e sorgo em testes de laboratório conduzidos por pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC). O resultado é promissor, mas ainda não significa produto pronto para uso na lavoura.

Na dose testada, de 10 miligramas por litro, o crescimento relativo subiu 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes aumentou 23% e 59%, respectivamente. Para a pequena propriedade, a notícia interessa mais como sinal de pesquisa e aproveitamento de resíduo do que como recomendação imediata de aplicação.

Caroços de açaí acumulados, coproduto estudado para produzir nanofertilizante
Caroços de açaí são a matéria-prima estudada. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa.

O que foi testado

O material é produzido a partir do pó da semente do açaí. Em um processo chamado síntese hidrotermal, o resíduo é transformado em pontos quânticos de carbono, partículas com cerca de quatro nanômetros.

Nos testes, foram usadas as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502. As duas têm ciclo curto e são recomendadas para o Semiárido. Isso limita a leitura dos números: o desempenho observado não pode ser transferido automaticamente para qualquer cultivar, solo, clima ou forma de aplicação.

Por que o caroço chama atenção

Para cada tonelada de frutos processados na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços. Esse material costuma ser descartado ou usado como combustível em caldeiras.

Transformar parte desse resíduo em insumo pode criar uma rota de maior valor para agroindústrias de açaí. A oportunidade, porém, depende de coleta, secagem, transporte e processamento com qualidade constante. Para uma unidade familiar, não é uma tecnologia para improvisar com caroço moído e aplicar na planta.

O que falta antes de chegar ao sítio

A própria equipe aponta três gargalos: levar o processo da escala de laboratório para a industrial, reduzir o gasto de energia e purificar o material com repetibilidade. A logística de coleta da biomassa também entra na conta.

Também faltam avanços regulatórios e estudos de segurança para o uso agrícola em larga escala. Por isso, não há base para substituir adubação foliar, recomendar dose em campo ou prometer aumento de produtividade com o material divulgado na pesquisa.

Como o pequeno produtor deve ler a novidade

  • Milho e sorgo: os ganhos divulgados são de crescimento em experimento, não de sacas colhidas por hectare.
  • Região: as cultivares avaliadas têm indicação para o Semiárido; outros ambientes exigem nova validação.
  • Resíduo: o caroço pode ter uso econômico, mas a transformação em nanofertilizante exige equipamento, controle de processo e análise.
  • Compra: qualquer produto comercial precisa apresentar registro, recomendação de uso, composição e orientação de segurança compatíveis com a legislação.

A pesquisa abre uma frente interessante para quem trabalha com açaí, milho ou sorgo, sobretudo pelo aproveitamento de um resíduo abundante. A decisão prática, por enquanto, é acompanhar a validação e não aplicar material caseiro ou produto sem documentação agronômica e regulatória.

Fonte: Embrapa. Resultados publicados no artigo científico Carbon-based nanopigments derived from açaí seed residues with tunable optical properties and biofunctional performance.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *