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Agricultura

Manejo de abelhas pode aumentar a produtividade da acerola no Semiárido

Pesquisa da Embrapa mostra aumento de 32% a 103% na produção de acerola em áreas avaliadas no Vale do São Francisco. Veja o que o pequeno produtor pode conservar e…

Pesquisas da Embrapa Semiárido mostram que o manejo de abelhas nativas pode elevar a produção de acerola entre 32% e 103% em áreas avaliadas no Vale do São Francisco. O resultado não é uma promessa igual para todo pomar: depende do local, da presença de polinizadores e das condições de cultivo.

O estudo chama atenção para uma despesa que costuma ficar escondida no planejamento do sítio: sem florada e abrigo para as abelhas, a aceroleira pode formar menos frutos. A orientação prática é conservar áreas de refúgio e avaliar ninhos-armadilha antes de pensar em ampliar insumos.

Fruto e flor de acerola em um ramo
Fruto e flor de acerola. Foto: Arria Belli/Wikimedia Commons.

O que a pesquisa encontrou

Na primeira fase, conduzida em cultivos irrigados de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), foram instalados 840 ninhos-armadilha. A ocupação chegou a 88,21%. As abelhas da tribo Centridini responderam por 91,7% das visitas registradas às flores nas áreas avaliadas.

Em três dos quatro lotes acompanhados, a produtividade aumentou entre 32% e 103% depois da instalação dos ninhos. Esses percentuais pertencem às áreas do estudo. Não servem como cálculo automático para qualquer pomar do Nordeste ou de outra região.

O que pode ser feito no pomar

A primeira medida é manter oferta de alimento quando a aceroleira não estiver em plena florada. A publicação técnica da Embrapa cita plantas como murici, embira-rosa, pau-ferro, falsa-dormideira e malva-rasteira como fontes complementares de recursos florais. A Caatinga próxima também ajuda a sustentar a atividade dos polinizadores.

O produtor deve evitar a limpeza total do entorno. Antes de retirar uma planta espontânea, confira se ela está oferecendo pólen, néctar ou óleo floral. A recomendação precisa ser adaptada ao manejo da propriedade e à orientação técnica local, principalmente quando houver aplicação de produtos fitossanitários.

Como usar ninhos-armadilha sem gastar no escuro

Para abelhas que ocupam cavidades, a Embrapa avaliou blocos de madeira perfurados. Os melhores resultados do estudo apareceram com cavidades de 10 a 12 milímetros de diâmetro e 10 a 14 centímetros de profundidade. O material deve ficar protegido e sombreado, de preferência perto de locais onde as abelhas já nasceram.

Parte das espécies, porém, faz ninho no solo. Nesses casos, o ganho está em conservar barrancos, drenos e trechos de solo onde os ninhos foram identificados. Revolver ou compactar esses pontos pode eliminar o abrigo que o pomar precisa.

O que ainda não está resolvido

A segunda fase do projeto, iniciada em 2025 e prevista até 2027, ainda vai validar o manejo em cultivos convencionais e orgânicos e analisar sua viabilidade econômica. Por isso, não há base para prometer o mesmo aumento de produção em todo sítio, nem para tratar o ninho-armadilha como substituto de irrigação, nutrição ou controle fitossanitário.

Para a pequena propriedade, a decisão mais segura é começar pelo diagnóstico: observe quais abelhas visitam as flores, marque locais de nidificação e conserve a vegetação útil. Depois, se houver estrutura e acompanhamento, teste os ninhos em uma parte do pomar e compare a frutificação com uma área semelhante.

Fontes

Embrapa: manejo de polinizadores na acerola e publicação técnica da Embrapa Semiárido.

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