A Embrapa iniciou um projeto de 24 meses para ajudar cidades a reduzir perdas e desperdício de alimentos. Para o pequeno produtor, a notícia interessa porque coloca compras locais, feiras e circuitos curtos de abastecimento no centro das decisões municipais.
O trabalho não é uma nova linha de crédito nem uma garantia de compra. A proposta é produzir dados e apoiar governos locais na criação de planos. Associações, cooperativas e agricultores que vendem perto da cidade devem acompanhar esse movimento para participar das discussões e organizar melhor a oferta.

O que o projeto vai estudar
O projeto “Sistemas alimentares circulares: envolvendo as cidades na transição” é liderado pela Embrapa Alimentos e Territórios e financiado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A iniciativa tem quatro frentes:
- investigar o que pesa nas decisões de compra e consumo;
- analisar as causas do desperdício nas residências;
- apoiar municípios na criação de planos para reduzir perdas e melhorar o ambiente alimentar;
- mobilizar instituições e divulgar os resultados.
As duas pesquisas terão abrangência nacional. A Embrapa informa que usará ferramentas de inteligência artificial para estimar consumo e desperdício. Isso ainda é produção de evidência para políticas públicas. Não significa que o agricultor terá uma ferramenta pronta para vender mais imediatamente.
Onde o pequeno produtor pode ganhar espaço
A principal oportunidade está na organização local. Quando a prefeitura conhece a demanda, os pontos de venda e os resíduos gerados, fica mais fácil discutir feira, compra institucional, logística compartilhada e aproveitamento de alimentos. Nenhuma dessas ações é automática: dependem de plano municipal, orçamento, regras sanitárias e articulação entre produtores e compradores.
Quem já vende em feira ou entrega cestas pode separar quatro informações antes de procurar a secretaria municipal ou uma associação:
- quais alimentos consegue entregar e em que época do ano;
- qual volume semanal ou mensal é realista;
- como transporta e conserva a produção;
- qual documentação e regra sanitária se aplica ao produto.
Essa preparação evita prometer um volume que a propriedade não sustenta. Também ajuda o grupo a identificar onde ocorre a perda: na colheita, na embalagem, no transporte ou no ponto de venda.
O que acompanhar agora
O projeto terá parceria com Pnuma, WWF-Brasil, Fundação Getulio Vargas, Pacto Contra a Fome e Universidade Federal de Viçosa. O produtor não precisa esperar uma plataforma nova para agir. Pode acompanhar os planos de segurança alimentar do município, as chamadas do PAA e outras compras públicas e iniciativas de agricultura urbana e periurbana já divulgadas.
O resultado mais útil será transformar diagnóstico em regra e rotina local. Para a pequena propriedade, isso pode significar acesso a um mercado próximo — mas só quando houver comprador definido, calendário, padrão de entrega e pagamento combinado.
Fontes
Embrapa — projeto Sistemas alimentares circulares (11/09/2026).