Quem produz erva-mate em pequena propriedade já pode usar duas ferramentas da Embrapa direto no navegador. O Manejo-Matte ajuda a localizar limitações do erval. O Ferti-Matte usa a análise de solo para apoiar a escolha e a dose de adubo.
A atualização atende uma dificuldade comum no Sul: o talhão sombreado não responde à adubação como um plantio a pleno sol. As ferramentas também passaram a considerar adubos orgânicos e o formato real das covas.

O que mudou nos aplicativos
As novas versões são responsivas. Funcionam em computador, tablet e celular, sem depender de um sistema operacional específico. O produtor pode acessar as ferramentas pelo portal da Embrapa Florestas, na área de tecnologias para erva-mate.
O Manejo-Matte faz um diagnóstico a partir das informações do talhão. A ferramenta aponta fatores que limitam o potencial produtivo e sugere pontos de manejo para discussão com a assistência técnica.
Como o sombreamento entra na decisão
A versão atual passou a considerar o percentual de sombra e o uso de cultivares BRS. Segundo a Embrapa, entre 0% e 35% de sombra não há alteração significativa do potencial produtivo nas condições avaliadas. Entre 40% e 60%, a resposta à adubação diminui porque a luz passa a limitar o desenvolvimento.
Isso não significa abandonar a adubação. A queda de folhas das árvores ajuda na ciclagem de nutrientes, mas não repõe tudo o que sai com a colheita. A dose precisa seguir a análise de solo e as recomendações técnicas para o erval.
A Embrapa informa que a erva-mate produzida sob sombra alcança, em média, valor 20% superior ao cultivo a pleno sol. Esse número é uma média de pesquisa e não uma promessa de preço para qualquer propriedade. Mercado, qualidade da folha, comprador e região mudam o resultado.
Ferti-Matte passa a comparar alternativas de adubo
O Ferti-Matte trabalha com as fases de plantio, formação de copa e produção. A atualização inclui adubação orgânica e um módulo para escolher combinações de fertilizantes conforme os produtos disponíveis e os preços informados pelo usuário.
Na prática, o produtor pode cadastrar os adubos que encontra na sua região. O sistema calcula uma combinação de menor custo que atende à demanda nutricional indicada. Se os produtos escolhidos não suprem algum nutriente, a ferramenta mostra a deficiência. O resultado serve para orientar a conversa técnica, não para substituir a análise de solo.
Cova quadrada e cova cilíndrica não são a mesma coisa
Outra correção mexe no cálculo do volume das covas. Para a cova quadrada, entram largura e profundidade. Para a cilíndrica, entram diâmetro e profundidade, como nas covas abertas com motocoveadora.
Usar a mesma conta para os dois formatos pode superestimar o volume e levar a uma quantidade de adubo maior que a necessária. A atualização reduz esse risco ao separar os parâmetros e verificar se as medidas informadas estão dentro das recomendações técnicas.
Quando a ferramenta ajuda — e quando não resolve
Os aplicativos são úteis para comparar talhões, organizar dados e chegar à assistência técnica com informações mais claras. Em um sítio com erval sombreado e outro a pleno sol, por exemplo, o produtor consegue registrar condições diferentes em vez de aplicar a mesma lógica nos dois.
O limite é simples: aplicativo não corrige amostra de solo mal coletada, não identifica sozinho todos os problemas do erval e não transforma uma recomendação geral em garantia de produtividade. A leitura precisa considerar idade das plantas, histórico de poda, cobertura, solo, clima e objetivo de venda.
Como acessar
O acesso está na página de erva-mate da Embrapa Florestas: Embrapa Florestas — erva-mate. Nessa página também estão o Sistema Erva 20, os cursos on-line de implantação e adubação e outras ferramentas, como Carbon Matte e Planin Matte.
Para o pequeno produtor, o melhor uso é começar pelo diagnóstico do talhão. Depois, com análise de solo em mãos, vale simular as opções de adubação e conferir se o custo cabe no caixa antes de comprar.
Fonte
Embrapa, “Aplicativos para erva-mate ganham novas funcionalidades para manejo e adubação”, publicado em 1º de setembro de 2026: leia a notícia original.