Um estudo do WRI Brasil encontrou uma diferença clara no acesso a recursos dentro da agricultura familiar. Entre os estabelecimentos dirigidos por mulheres, 11,2% recebiam assistência técnica, contra 19,9% entre os dirigidos por homens. A presença de tratores também era menor: 4,2% contra 13,2%.
Os números vêm de uma análise baseada no Censo Agropecuário 2017, o último levantamento censitário do IBGE sobre o setor. Eles não retratam uma pesquisa feita em 2026, mas ajudam a mostrar um problema estrutural que ainda pesa na decisão de crédito, manejo e mecanização.

Onde a diferença pesa no sítio
O estudo também encontrou menor uso de adubação e correção do solo nos estabelecimentos dirigidos por mulheres. A adubação aparecia em 33,9% deles, contra 44% nos dirigidos por homens. Na correção do solo, os percentuais eram 7,5% e 14%, respectivamente.
Isso não significa que a falta de um insumo explique sozinha a diferença de produção. O próprio levantamento trata de acesso a recursos e condições de trabalho. Área disponível, renda, assistência, crédito, mão de obra e mercado entram na conta.
O recorte regional muda a decisão
As agricultoras dirigem 24% dos estabelecimentos familiares no Nordeste, 20% no Norte, 18% no Centro-Oeste, 15% no Sudeste e 12% no Sul. O estudo separa esses territórios porque o gargalo não é igual em todo lugar.
No Norte e no Nordeste, o perfil identificado reúne áreas menores e menor acesso a assistência técnica, crédito e mecanização. Sul e Sudeste aparecem em situação relativamente mais favorável. O Centro-Oeste fica em uma posição intermediária, com menor presença da agricultura familiar.
O que conferir antes de buscar apoio
Para uma agricultora que administra horta, pomar, criação ou lavoura, a notícia serve como lista de conferência. Antes de contratar crédito ou comprar máquina, vale organizar:
- Diagnóstico da propriedade: cultura principal, área cultivada, problema de solo, disponibilidade de água e mão de obra.
- Assistência técnica: procurar um atendimento que trate do sistema produtivo inteiro, e não apenas da venda de um insumo.
- Documentos: conferir CAF, CAR, posse ou propriedade e o projeto exigido pela linha escolhida. O MDA informa que esses documentos aparecem entre as exigências gerais do Pronaf, mas a instituição financeira pode pedir informações adicionais.
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 prevê linhas específicas para mulheres agricultoras e ações de Ater. A contratação, porém, depende das regras da modalidade e da análise da instituição autorizada. Recurso anunciado não é crédito aprovado automaticamente.
O que o estudo não diz
Os dados não permitem concluir que toda propriedade dirigida por mulher enfrenta o mesmo problema. Também não medem a situação atual de cada município. A base é o Censo Agropecuário 2017, com referência de coleta em 30 de setembro daquele ano. O valor do estudo está em revelar diferenças que ficam escondidas quando a agricultura familiar é tratada como um bloco único.
Recomendação prática
Para quem administra uma pequena propriedade, o caminho mais seguro é pedir apoio a partir do gargalo real: solo, água, máquina, comercialização ou crédito. A agricultora não precisa aceitar uma solução genérica. Deve levar a situação da área, a cultura e o mercado para a Ater, cooperativa, sindicato ou agente financeiro e exigir que a proposta seja compatível com a capacidade de pagamento.