A Embrapa voltou a apresentar a gliricídia como alternativa para reforçar a alimentação de bovinos, caprinos e ovinos no período de menor oferta de forragem. A tecnologia GliriNUTRI foi um dos destaques do Sertão Rural Show 2026, realizado de 17 a 19 de setembro em Santana do Ipanema (AL).
A proposta não é trocar toda a alimentação do rebanho por uma planta. É formar uma fonte de forragem e proteína que possa ser usada fresca ou conservada como feno e silagem. A Embrapa também mantém um curso gratuito on-line sobre implantação e manejo do sistema.

O que é o GliriNUTRI
O GliriNUTRI usa a Gliricidia sepium como componente principal do sistema. A orientação da Embrapa é trabalhar com áreas adensadas, como legumineira ou banco de proteína, quando o objetivo é produzir forragem para corte. No pastejo direto, o arranjo muda e precisa ser definido para a condição da propriedade.
A planta pode entrar na alimentação in natura ou depois de fenação e ensilagem. Isso abre uma saída para guardar parte do material e atravessar a época em que o pasto perde volume. A tecnologia é indicada para bovinocultores, caprinocultores e ovinocultores que enfrentam falta de forragem ao longo do ano.
A Embrapa Tabuleiros Costeiros informa que pesquisa a gliricídia há cerca de 30 anos. O trabalho considera tanto o uso como forrageira quanto a contribuição da leguminosa como fonte natural de nitrogênio no sistema.
Onde a alternativa faz mais sentido
O foco principal está no Nordeste, incluindo áreas de Caatinga e de Mata Atlântica. A resistência à seca ajuda, mas não elimina a necessidade de escolher bem o local, preparar o plantio e acompanhar o desenvolvimento da planta.
Para um criador de cabras no Sertão, por exemplo, o banco de proteína pode complementar a palma, o pasto e outros volumosos disponíveis. Na pequena propriedade leiteira, a gliricídia pode ser avaliada como parte do planejamento de forragem para a época seca. O resultado depende do rebanho, do solo, da chuva, da mão de obra e do modo de fornecimento.
Quem está fora do Nordeste não deve copiar o sistema como receita pronta. A própria Embrapa delimita a tecnologia à região e a estados específicos. Em outro clima ou solo, a adaptação precisa ser conferida com assistência técnica local.
O que conferir antes de plantar
- Objetivo do plantio: defina se a área será usada para corte, conservação da forragem ou pastejo direto. O arranjo da planta muda conforme a finalidade.
- Material de plantio: procure semente ou muda com origem conhecida. Falha no estabelecimento encarece o banco de proteína e atrasa a oferta de alimento.
- Solo e água: observe drenagem, fertilidade, acesso para manejo e disponibilidade de água no início do plantio. Resistência à seca não significa que a muda dispense cuidado na implantação.
- Colheita e conservação: planeje onde o material será cortado, fenado ou ensilado. Sem estrutura para guardar a forragem, parte da vantagem se perde.
- Adaptação do rebanho: a introdução da forragem deve ser acompanhada. O fornecimento e o balanceamento da dieta precisam considerar a categoria animal e os demais alimentos disponíveis.
A cartilha da Embrapa sobre formação de banco de proteína é um bom ponto de partida para organizar as perguntas. Ela não substitui um projeto ajustado ao terreno nem uma orientação sobre a dieta do rebanho.
Curso gratuito ajuda a começar pelo manejo
A capacitação “GliriNUTRI: uso da gliricídia na alimentação de ruminantes” está disponível on-line na plataforma e-Campo da Embrapa. O conteúdo aborda as características e a origem da planta, a implantação de áreas adensadas e cultivos consorciados, o uso da forragem fresca ou conservada e alternativas para o pastejo direto.
O curso é gratuito e pode ser feito pela internet. O produtor deve usar o material para montar um plano simples: qual área será usada, como conseguir o material de plantio, qual rebanho será atendido e como a forragem será armazenada. Essa sequência evita plantar sem ter definido o corte, o transporte e o fornecimento.
Para uma pequena criação no Semiárido, a gliricídia vale ser estudada quando a falta de proteína na seca pesa no custo da alimentação. Ela não resolve sozinha a oferta de volumoso, não corrige manejo ruim e não dispensa o balanceamento da dieta. O caminho mais seguro é começar numa área compatível com a mão de obra da família, acompanhar a resposta da planta e ajustar o uso com orientação técnica.
Perguntas frequentes
A gliricídia serve para quais animais?
A tecnologia GliriNUTRI é voltada a sistemas com bovinos, caprinos e ovinos, principalmente no Nordeste e em propriedades que enfrentam sazonalidade na oferta de forragem.
A planta pode ser fornecida fresca?
Sim. A Embrapa informa que a gliricídia pode ser usada in natura ou conservada em forma de feno e silagem.
O curso da Embrapa é pago?
Não. A capacitação on-line sobre o GliriNUTRI é apresentada pela Embrapa como gratuita.
A gliricídia substitui toda a alimentação?
Não. Ela é uma alternativa forrageira e fonte de proteína dentro do sistema. A dieta precisa considerar os outros alimentos, a categoria dos animais e a orientação técnica.
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