Safra de grãos 2025/26 chega a 360,8 milhões de toneladas: o que conferir no sítio
A Conab estima a safra brasileira de grãos 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas, alta de 2,4% sobre o ciclo anterior. Para quem planta ou cria em pequena propriedade, o número serve como retrato da oferta nacional — não como promessa de preço na porteira. A decisão continua dependente do talhão, da data de colheita, do comprador e do frete.
O 11º levantamento foi feito com pesquisa de campo realizada no fim de julho. A área cultivada aparece estimada em 83,5 milhões de hectares. Soja, milho e sorgo puxaram o aumento da produção, enquanto trigo, arroz e feijão tiveram as maiores reduções em relação à safra passada.

Milho cresce, mas a colheita ainda está no campo
A Conab projeta cerca de 143 milhões de toneladas de milho nas três safras, alta de 1,3%. A primeira safra responde por 29,5 milhões de toneladas. Na segunda, a produção estimada é de 111 milhões de toneladas, com 58,3% da área colhida no momento da pesquisa. A terceira safra aparece com 2,4 milhões de toneladas.
Esse estágio muda a leitura para o produtor. Parte da oferta ainda depende do clima, da colheita e da chegada do milho aos armazéns. Uma média nacional maior não diz quanto haverá no município na semana da compra, nem qual será o preço cobrado pelo revendedor ou pago pelo comprador.
O que conferir antes de aumentar a área
- Venda: confirme comprador, padrão exigido, umidade aceita, desconto e data de retirada antes de semear mais.
- Frete: anote a distância até o armazém ou granja. Em lote pequeno, o transporte pode pesar mais que a diferença de preço anunciada.
- Caixa: separe custo de semente, adubo, combustível, mão de obra e secagem. A estimativa da Conab não é margem de lucro da propriedade.
- Clima e calendário: consulte o Zarc do seu município, solo e ciclo. O zoneamento atualizado ajuda a escolher janela, mas não substitui observação de chuva e condição do terreno.
Na prática, o levantamento ajuda a comparar o cenário nacional com o caderno da propriedade. Registre produtividade real por talhão, perda na colheita, gasto de secagem e preço líquido recebido. Sem essa conta, o aumento de produção do país pode levar a uma expansão que aperta o caixa em vez de melhorar o resultado.
Soja e sorgo puxam a alta; arroz e feijão exigem cautela
A soja tem produção estimada em 180,5 milhões de toneladas, 5,2% acima da safra anterior. O sorgo chega a 7,4 milhões de toneladas, alta de 20,7%. Já o arroz é estimado em 11,1 milhões de toneladas, queda de 13,1%, e o feijão, somadas as três safras, fica em aproximadamente 3 milhões de toneladas, recuo de 3,2%.
Esses dados podem orientar conversa com comprador e planejamento de estoque, mas não autorizam trocar uma cultura por outra de forma automática. A escolha precisa considerar água disponível, solo, ciclo, mão de obra, mercado próximo e o custo para tirar a produção da roça.
Perguntas frequentes
A estimativa de 360,8 milhões de toneladas garante preço melhor?
Não. Ela mede produção nacional projetada. Preço local depende de oferta regional, qualidade, demanda, frete e momento da venda.
Quanto do milho já havia sido colhido?
Na segunda safra, 58,3% da área estava colhida na pesquisa de fim de julho. O restante ainda estava em maturação ou em outra fase de campo.
O número da Conab vale para qualquer sítio?
Não. É uma estimativa nacional. Use seus registros de produtividade, perdas e custo para decidir a área.
Onde consultar os dados completos?
O boletim do 11º levantamento e a tabela de produção e oferta estão na página de acompanhamento da safra da Conab.
A recomendação é simples: use o levantamento para enxergar o mercado, mas feche a decisão com a conta do seu talhão. Para milho, isso significa conferir colheita regional, umidade, custo de secagem, comprador e frete antes de ampliar o plantio.