Um mapa digital criado pela Embrapa passou a mostrar milhares de castanheiras-da-amazônia nas trilhas de coleta de 18 grupos extrativistas de Lábrea (AM). O aplicativo funciona no celular mesmo sem internet e pode ajudar a planejar o caminho, reduzir deslocamentos e localizar árvores que ficavam fora do campo de visão.
A ferramenta não transforma toda área de floresta em castanhal produtivo. O ganho depende da confirmação dos coletores, da produção de cada árvore, da equipe disponível e da capacidade de transportar os ouriços. Para outras comunidades, a notícia serve como referência de uma aplicação prática de geolocalização no extrativismo.

O que o mapa entrega na trilha
Cada castanheira recebe uma localização geográfica única. O inventário também indica árvores em uma faixa de até 200 metros de cada lado das trilhas percorridas. Assim, o grupo pode revisar rotas já conhecidas e decidir quais pontos merecem uma visita.
Na prática, o mapa ajuda em três decisões: onde começar a coleta, quais trechos podem ser reorganizados e que árvores precisam ser conferidas no campo. A produtividade não é igual em todos os anos. Por isso, ter mais árvores registradas pode ajudar a compensar uma safra fraca, sem dispensar a avaliação da equipe.
Como a tecnologia foi feita
O inventário foi produzido com o Netflora, tecnologia da Embrapa Acre que usa drones e algoritmos de inteligência artificial para identificar castanheiras e outras espécies florestais em imagens aéreas. Os dados alimentam o mapa usado pelos coletores.
Segundo a Embrapa, outras duas comunidades extrativistas também já usam a plataforma para mapear castanhais. Isso não significa que o aplicativo esteja disponível como uma solução pronta para qualquer produtor baixar. A implantação depende de mapeamento, organização do território, treinamento e validação local.
O conhecimento do coletor continua no centro
O mapa aponta a árvore. Quem decide se a rota é possível é a comunidade. Uma castanheira produtiva pode estar distante, em terreno difícil ou fora da capacidade de transporte daquele grupo.
Na Fazenda Nova Fronteira, em Lábrea, a ferramenta também ajudou a deixar mais claras as divisas das trilhas. Esse tipo de registro pode reduzir dúvidas entre vizinhos, desde que o uso dos dados seja combinado entre os envolvidos e respeite as regras locais.
O que uma comunidade deve conferir antes de buscar algo parecido
- Objetivo: definir se o mapa servirá para planejar rotas, registrar árvores, organizar divisas ou acompanhar a produção.
- Validação: conferir no chão se as árvores identificadas são castanheiras e se o acesso é viável.
- Uso sem sinal: testar o aplicativo nas áreas onde o celular não terá conexão.
- Capacitação: treinar os coletores para consultar a rota e atualizar informações.
- Boas práticas: combinar manejo, quebra, armazenamento e uso de equipamentos de proteção para evitar contaminação e acidentes.
A experiência amazônica mostra que tecnologia útil não é a que apenas reúne pontos no mapa. É a que reduz caminhada sem necessidade, melhora a divisão do trabalho e respeita quem conhece a floresta. Para o extrativismo, o melhor uso começa com o território e termina na decisão possível de executar.
Fontes
Embrapa: mapa digital de trilhas de coleta de castanha-da-amazônia · Embrapa Acre: Netflora