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Tecnologia

Cooperamais Tecnologia: cooperativas podem disputar R$ 100 milhões com ICTs

A chamada Cooperamais Tecnologia reserva R$ 100 milhões para soluções de pesquisa e inovação na agricultura familiar. Veja por que a cooperativa precisa ter parceria prévia com uma ICT, quais…

Uma cooperativa da agricultura familiar pode entrar no desenvolvimento de tecnologia sem pagar a conta sozinha. A chamada Cooperamais Tecnologia – ICT colocou R$ 100 milhões em recursos não reembolsáveis para projetos que aproximem instituições de pesquisa das necessidades reais do campo.

O ponto que muda a decisão é a forma de participação: o agricultor individual não se inscreve. A proposta precisa ser apresentada por uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), pública ou privada elegível pelo edital, em parceria formal com uma cooperativa da agricultura familiar.

Infográfico da chamada Cooperamais Tecnologia – ICT, com regras de recursos, parceria e prazo
O edital exige parceria prévia entre a ICT e a cooperativa. Imagem: MCTI.

Que tipo de projeto pode entrar

A chamada aceita projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à agricultura familiar brasileira. O edital separa cinco linhas:

  • comercialização, acesso a mercados e logística cooperativa;
  • desenvolvimento de cadeias produtivas e agroindustrialização cooperativa;
  • gestão da inovação, transformação digital e absorção tecnológica;
  • economia circular;
  • eficiência energética e resiliência climática.

Na prática, uma cooperativa de hortaliças pode discutir uma solução para organizar entregas e reduzir perdas. Uma associação de produtores de mandioca pode estruturar um projeto de beneficiamento. Também cabem propostas para aproveitar resíduos, digitalizar processos ou economizar energia. O projeto precisa nascer de uma demanda concreta da cooperativa, não de uma tecnologia sem uso definido.

O agricultor pode pedir o recurso diretamente?

Não. A chamada não funciona como Pronaf, microcrédito ou compra direta de equipamento. A ICT é a executora principal da proposta, enquanto a cooperativa participa do desenvolvimento, da validação e da difusão da solução.

Para a parceria ser aceita, a ICT precisa comprovar vínculo formal anterior de pelo menos um ano com uma cooperativa. A cooperativa deve ter CAF Pessoa Jurídica ativo, e pelo menos 70% dos cooperados precisam ter CAF Pessoa Física ativo. Esse requisito elimina a ideia de procurar uma instituição apenas para assinar o projeto na última hora.

Por isso, a primeira conversa deve acontecer dentro da cooperativa: qual gargalo custa dinheiro hoje, quem tem dados sobre o problema e qual instituição consegue desenvolver e validar a solução? Sem essa resposta, a inscrição tende a ficar distante da rotina da propriedade.

Quanto pode ser pedido e qual é o prazo

Cada projeto pode solicitar entre R$ 3 milhões e R$ 15 milhões, com execução de até 36 meses. O recurso vem do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e não é reembolsável.

O cadastro institucional deve ser enviado até 1º de dezembro, às 17h, e a proposta final até 8 de dezembro de 2026, também às 17h, no horário de Brasília. A chamada está aberta para todo o Brasil. Pelo menos 30% do orçamento deverá ser destinado às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, desde que existam projetos considerados meritórios.

O edital também exige que o projeto comece em nível de maturidade tecnológica TRL 3 ou superior. Em termos práticos, a proposta não pode ser apenas uma ideia distante do teste. A ICT precisa justificar o estágio inicial e o estágio que pretende alcançar.

O que a cooperativa deve organizar agora

  1. Liste um problema que afete produção, beneficiamento, venda, logística, energia ou uso de resíduos.
  2. Confirme se o CAF da cooperativa está ativo e quantos associados têm CAF Pessoa Física ativo.
  3. Separe o documento que comprova a parceria formal de pelo menos um ano com a ICT.
  4. Peça à ICT uma definição clara da linha temática, do cronograma e da forma de validação no campo.
  5. Leia o edital completo antes de prometer equipamento, renda ou resultado que a chamada não garante.

Uma referência útil para essa triagem é o material sobre inteligência artificial na agricultura já publicado pelo Agrocim. Ele ajuda a separar ferramenta que resolve um gargalo de tecnologia comprada apenas por novidade.

Quando vale a pena correr atrás

A chamada faz sentido para cooperativas que já conseguem apontar um problema comum a vários associados e têm uma ICT capaz de trabalhar na solução. Não é o caminho mais curto para comprar um implemento para uma única propriedade.

Se a demanda está clara, o próximo passo é procurar uma universidade, instituto federal ou centro de pesquisa com experiência comprovada e montar a parceria com antecedência. O recurso pode financiar desenvolvimento e validação, mas a aprovação depende do edital, da qualidade do projeto e da existência de uma parceria que funcione de verdade.

Onde conferir: página da chamada na Finep e notícia do MCTI.

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