BRS Carinás chega ao mercado: onde a nova braquiária faz sentido

A BRS Carinás, primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens, entrou no mercado de sementes em agosto. Ela amplia a escolha de quem usa braquiarinha no Cerrado. Mas não serve para trocar pasto no escuro: o ganho apareceu sob condições e manejo definidos, e a cultivar continua fraca contra cigarrinhas.

A Embrapa fará uma transmissão ao vivo na segunda-feira, 17 de agosto, às 15 horas, para apresentar resultados e responder dúvidas de implantação, seca e integração lavoura-pecuária. Para o produtor que planeja formar ou renovar piquete na próxima chuva, a pauta prática é comparar a área, o histórico de pragas e o custo completo da reforma antes de comprar semente.

Dossel verde e fechado da cultivar de pastagem BRS Carinás

O que mudou com a BRS Carinás

Até agora, a Basilisk era a única Brachiaria decumbens comercial no país. A BRS Carinás é um híbrido desenvolvido pela Embrapa com a Unipasto. Foi registrado em 2024, protegido em 2025 e lançado em 2026. As sementes começaram a ser oferecidas por empresas associadas à Unipasto.

Nos ensaios de corte realizados por três anos em Planaltina, no Distrito Federal, a nova cultivar produziu 16,2 toneladas de matéria seca por hectare ao ano. A Basilisk produziu 13,7 toneladas nas mesmas condições. A diferença foi de 18%.

Esse número não é promessa de colheita para qualquer fazenda. O ensaio foi feito em Latossolo argiloso, com correção e adubação descritas no trabalho, cortes definidos e clima do Cerrado. Solo raso, baixa formação do estande, atraso no pastejo ou falta de fósforo podem mudar a conta.

Na avaliação com bovinos Nelore em recria, também em Planaltina, o ganho de peso vivo chegou perto de 400 quilos por hectare ao ano. A Basilisk ficou em 358 quilos por hectare ao ano sob o mesmo manejo. O resultado mede produção por área, não ganho garantido por animal.

Onde a cultivar faz mais sentido

A indicação inicial é para o Cerrado, em solo ácido e de baixa a média fertilidade. A planta tolera baixo fósforo, mas responde à adubação fosfatada. “Pouco exigente” não quer dizer pasto que dispensa análise de solo, calagem e adubação.

Ela entra melhor em três situações: renovação de área hoje ocupada por Basilisk, diversificação de pastos para reduzir dependência de uma só cultivar e integração lavoura-pecuária, com produção de palhada e pastejo na entressafra.

O material técnico indica semeadura de 4 a 6 quilos de sementes puras viáveis por hectare e profundidade de 3 a 6 centímetros. O produtor precisa converter o lote comprado para sementes puras viáveis. Comparar apenas quilos por hectare ou preço da embalagem pode levar a estande fraco e reforma cara.

A cigarrinha continua sendo o ponto fraco

A BRS Carinás tem baixa resistência às cigarrinhas típicas das pastagens, Notozulia entreriana e Deois flavopicta. Também não resiste às cigarrinhas do gênero Mahanarva. Nesse ponto, ela não corrige o principal limite conhecido da Basilisk.

Em piquete com ataque recorrente, comprar a cultivar apenas pela produção de forragem aumenta o risco. Antes da reforma, levante onde a infestação começou, em que mês apareceu, quanto pasto ficou passado e qual controle funcionou. Área úmida, muita palha na base e dossel alto exigem vigilância maior.

Há outro cuidado. A presença de saponinas e o risco ligado à fotossensibilização ainda estão em avaliação. A orientação disponível é adotar os mesmos cuidados usados com a Basilisk. Lote jovem, animal recém-chegado e histórico de problema no rebanho pedem acompanhamento mais próximo.

Como decidir antes de reformar o piquete

  1. Faça análise de solo por talhão e feche a necessidade de correção e adubação.
  2. Confirme se a área está dentro da recomendação para o Cerrado. Em região fria, com geada frequente, a cultivar ainda não é a escolha principal.
  3. Revise o histórico de cigarrinha. Se o ataque é repetido, compare materiais com resistência genética antes de fechar a compra.
  4. Peça ao vendedor o valor cultural ou os dados de pureza e germinação. Calcule sementes puras viáveis, frete e quantidade total.
  5. Planeje a lotação. Mais forragem só vira resultado quando entrada, saída, água, cerca e número de animais acompanham o crescimento.

No pastejo contínuo, a faixa de manejo informada é de 20 a 30 centímetros. No rotacionado, a referência é entrada a 30 centímetros e saída a 15 centímetros. São pontos de partida. A velocidade de rebrota muda com chuva, fertilidade e carga animal.

Depois da implantação, pese ou estime o lote de forma repetível. Um sistema de pesagem bem montado ajuda a separar impressão de ganho real. Registre área do piquete, dias de ocupação, animais, adubação e peso. Sem isso, fica difícil saber se a semente pagou a reforma.

Quando esperar em vez de comprar

Espere se a fazenda está fora da região indicada, se o talhão encharca com frequência ou se não há caixa para completar correção, plantio e controle de invasoras. A tolerância ao alagamento foi observada em vasos por 30 dias. Ainda faltam ensaios de campo em solo mal drenado.

Também não faz sentido reformar uma Basilisk formada apenas para perseguir a diferença média do experimento. Primeiro compare a produção atual, a lotação possível e o custo da parada do piquete. A BRS Carinás é uma nova opção. Não é atalho para solo sem correção nem cura para manejo atrasado.

Perguntas frequentes

A semente da BRS Carinás já está disponível?

A previsão oficial é de oferta a partir de agosto de 2026 por empresas associadas à Unipasto. A disponibilidade pode variar por região e estoque.

Ela pode substituir a Basilisk em qualquer lugar?

Não. A recomendação inicial é para o Cerrado. Outras regiões estão em avaliação, e locais com frio intenso ou geada frequente exigem outra comparação.

A BRS Carinás resiste à cigarrinha?

Não. A resistência é baixa tanto para cigarrinhas típicas das pastagens quanto para as do gênero Mahanarva.

A cultivar dispensa adubação em solo fraco?

Não. Ela tolera solo ácido e baixa a média fertilidade, mas a correção e a adubação devem seguir análise do solo e meta de produção.

Quem perder a transmissão do dia 17 fica sem orientação?

Não. As recomendações técnicas permanecem nos canais da Embrapa. Antes da compra, confirme a indicação para a propriedade com assistência técnica local.