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Agricultura

Fungos da Caatinga mostram potencial contra doenças no melão, mas ainda faltam testes de campo

Pesquisa da Embrapa encontrou fungos nativos da Caatinga com potencial contra doenças do solo em melão, mas resultado ainda precisa de testes de campo.

Fungos nativos da Caatinga mostraram capacidade de frear microrganismos que causam podridões e murchas em lavouras de melão. O resultado abre uma linha de pesquisa para biofungicidas mais adaptados ao calor do Semiárido, mas ainda não autoriza aplicar esses isolados na lavoura: faltam testes de campo e avaliação em plantas.

O estudo, divulgado pela Embrapa em 1º de setembro de 2026, identificou 14 isolados de Trichoderma coletados em áreas de vegetação nativa e em cultivos irrigados de melão na Bahia e no Piauí. Os pesquisadores avaliaram cinco espécies de agentes causadores de doenças do solo em laboratório.

Placa de laboratório com colônia de Trichoderma estudada pela Embrapa.
Colônia de Trichoderma usada na pesquisa sobre fungos da Caatinga. Foto: Gabriel Mascarin/Embrapa.

O que a pesquisa encontrou

Os 14 isolados pertencem a cinco espécies: Trichoderma asperellum, T. asperelloides, T. koningiopsis, T. virens e T. spirale. A composição dos fungos mudou conforme o uso do solo e suas características químicas.

Os testes foram feitos contra Fusarium sulawesiense, Fusarium solani, Macrophomina phaseolina, Rhizoctonia solani e Pythium myriotylum. Os isolados atuaram por competição, micoparasitismo e compostos voláteis que inibem outros microrganismos. Em alguns casos, os compostos reduziram em mais de 70% o crescimento do patógeno em laboratório.

Por que o calor interessa ao produtor

Os isolados retirados de áreas cultivadas com melão toleraram melhor temperaturas elevadas do que os coletados em áreas nativas. Para o Semiárido, essa característica pode ajudar no desenvolvimento de produtos biológicos que sofram menos com o ambiente quente.

Esse resultado é uma indicação de potencial, não uma recomendação pronta. Um microrganismo que funciona em placa de laboratório pode perder desempenho no solo, não colonizar a raiz como esperado ou não reduzir a doença na planta. A própria equipe aponta a necessidade de testes em campo, avaliação da colonização do melão e estudos sobre crescimento e produtividade.

O que muda agora para a pequena propriedade

Quem produz melão irrigado na Bahia, no Piauí ou em outra área quente não deve multiplicar o fungo por conta própria nem substituir um produto registrado com base nesta notícia. O estudo ainda está na etapa de seleção de candidatos.

A utilidade imediata é acompanhar três pontos: se a solução avançará para ensaios em campo, se haverá produto registrado para a cultura e doença de interesse e se o desempenho será confirmado nas condições da propriedade. Enquanto isso, diagnóstico correto, manejo da irrigação, rotação de áreas quando possível e orientação técnica continuam sendo as decisões seguras para doenças de solo.

De onde vêm os resultados

A pesquisa foi publicada em agosto de 2026 na revista Fungal Biology, em artigo de acesso aberto. A Embrapa Meio Ambiente informou que o trabalho foi conduzido com amostras da Caatinga e de áreas de melão irrigado. A matéria original e o artigo científico estão disponíveis nos links abaixo.

Fontes: Embrapa; artigo na Fungal Biology.

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