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Agricultura

Projeto da Embrapa testa DNA ambiental para medir biodiversidade em propriedades rurais

Projeto da Embrapa testa DNA ambiental para medir biodiversidade em propriedades rurais da Mata Atlântica e criar métricas para conservação.

Um projeto da Embrapa Agricultura Digital está avançando no teste de DNA ambiental (eDNA) para medir a biodiversidade em propriedades rurais da Mata Atlântica. A equipe prepara novas campanhas de campo nos Distritos Agrotecnológicos de Lagoinha e Jacupiranga, em São Paulo.

Para o produtor, a novidade ainda não é um serviço pronto para contratar. É uma pesquisa que pode criar, no futuro, uma forma padronizada de comprovar a presença de animais, plantas, fungos e microrganismos na área conservada.

Pesquisadora coleta amostra em área de Mata Atlântica durante projeto de DNA ambiental
Coleta em área de Mata Atlântica durante o projeto de monitoramento por DNA ambiental. Foto: Carolina Gomes Nogueira/Embrapa.

Como o DNA ambiental pode ajudar a propriedade

O eDNA aproveita o material genético deixado no ambiente. A coleta pode usar solo, água, sedimento ou teias de aranha. No laboratório, o material é extraído, sequenciado e comparado com bancos de referência para indicar os grupos biológicos presentes.

Na primeira campanha, realizada entre 23 e 27 de março de 2026 no DAT de Lagoinha, foram recolhidas 54 amostras de solo em 18 pontos de cinco propriedades. A pesquisa também coletou teias de aranha, que retêm DNA ambiental de diferentes grupos.

O projeto trabalha com seis marcadores moleculares. Eles abrangem vertebrados, mamíferos, invertebrados — com atenção para abelhas e outros polinizadores —, bactérias, fungos e plantas.

O que isso muda para quem conserva mata

O objetivo é construir métricas de biodiversidade que ajudem a medir serviços ambientais, como polinização, ciclagem de nutrientes e saúde do solo. Esses dados podem apoiar políticas de pagamento por serviços ambientais e projetos que remunerem a conservação.

A escala é o ponto decisivo para a pequena propriedade. Um sítio isolado pode não ter área ou recursos para viabilizar sozinho um projeto ambiental. A proposta estudada pela Embrapa reúne propriedades interessadas em manter a vegetação nativa, criando uma base comum de monitoramento.

O que o produtor deve esperar agora

Não há, nesta etapa, promessa de pagamento nem resultado individual divulgado para cada propriedade. A equipe ainda fará campanhas e capacitações nos dois distritos paulistas. Também depende da qualidade das coletas e da ampliação dos bancos genéticos para que a técnica se torne mais acessível.

Quem mantém fragmento de Mata Atlântica deve guardar mapas, registros de restauração, imagens da área e documentos ambientais. Esse histórico não substitui uma análise de eDNA, mas ajuda a organizar a comprovação da conservação quando surgirem programas ou projetos de remuneração.

A pesquisa interessa menos como uma solução imediata e mais como sinal de uma mudança: conservar pode passar a ser medido com indicadores de biodiversidade, não apenas pela área de floresta mantida. Para a pequena propriedade, participar de iniciativas coletivas tende a ser o caminho mais realista quando a tecnologia ganhar escala.

Fontes consultadas

Embrapa Semear Digital: projeto eDNA ambiental reúne equipe para alinhamento técnico (11 de setembro de 2026).

Embrapa Semear Digital: método usa DNA ambiental para medir biodiversidade em propriedades rurais (8 de maio de 2026).

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