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Agricultura

Maritacas causam prejuízos em lavouras: o que o pequeno produtor deve conferir antes de agir

Maritacas estão provocando perdas em milho, uva, pêssego e hortaliças no Circuito das Frutas. Veja como registrar o dano e agir sem colocar a produção e a fauna em risco.

Maritacas estão provocando perdas em milho, uva, pêssego e hortaliças no Circuito das Frutas, em São Paulo. O problema foi levado a um simpósio em Jarinu, com participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), produtores, especialistas e órgãos públicos. A saída não é perseguir as aves: o produtor precisa medir o dano, proteger o talhão e buscar orientação ambiental antes de qualquer captura ou controle.

Relatos apresentados no encontro incluíram áreas com perda total e prejuízos econômicos em municípios da região. O Mapa informou que o debate deve considerar, ao mesmo tempo, a produção rural e a proteção da fauna silvestre. Ainda não há, na notícia oficial, uma solução única que sirva para toda cultura ou propriedade.

Duas maritacas pousadas em um galho, em uma área com vegetação
Maritaca em ambiente arborizado. Foto: Dario Sanches/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

O que o pequeno produtor deve conferir primeiro

Antes de gastar com qualquer medida, separe suspeita de prejuízo comprovado. Visite a área em horários diferentes e anote:

  • qual cultura e qual parte da lavoura foram atacadas;
  • quantas linhas ou plantas apresentam dano;
  • se a perda aparece nas bordas, perto de árvores ou em todo o talhão;
  • em que fase da cultura o ataque aumenta;
  • data, horário, clima e presença de bandos.

Fotografias com data e um mapa simples do talhão ajudam a mostrar o padrão do problema. Também evitam uma decisão cara baseada em um único dia de observação.

Por que a solução muda de uma propriedade para outra

Uma plantação de uva conduzida em área pequena não enfrenta a mesma situação de um milharal aberto. A distância até árvores, a presença de água, o tamanho do bando, a fase da cultura e a vizinhança mudam o risco. Por isso, uma medida que afasta aves em um sítio pode ter pouco efeito em outro.

O simpósio discutiu alternativas de manejo e mitigação, mas não autorizou uma receita geral. O caminho mais seguro é levar o registro do dano à assistência técnica local, à prefeitura ou ao órgão ambiental responsável no estado. A orientação precisa considerar a espécie, o local e a regra aplicável.

O que não fazer para tentar salvar a lavoura

Maritacas são fauna silvestre. A Lei nº 9.605/1998 trata como crime matar, perseguir, caçar ou apanhar animal silvestre sem permissão, licença ou autorização da autoridade competente. A mesma regra alcança ninhos e abrigos naturais.

Veneno, armadilha, tiro e destruição de ninho podem criar um problema ambiental e criminal, além de colocar pessoas, animais domésticos e a própria produção em risco. Não use essas práticas por conta própria. Se houver necessidade de captura ou manejo, o pedido deve ser encaminhado ao órgão competente antes da ação.

Quando vale investir em proteção

O gasto faz sentido quando o registro mostra dano repetido e o valor da produção protegida justifica a medida. Em uma horta pequena, pode ser possível começar por uma área-piloto e comparar o resultado com uma área sem proteção. Em um pomar, a conta precisa incluir instalação, manutenção, acesso para colheita e risco de a ave apenas mudar de ponto de ataque.

O produtor também deve combinar a decisão com vizinhos quando os bandos circulam por várias propriedades. Uma ação isolada pode deslocar o problema para o sítio ao lado, sem reduzir o prejuízo regional.

O que fica de concreto para a propriedade

O encontro em Jarinu mostra que o conflito já chegou à agenda pública, mas não transforma relato local em regra para todo o Brasil. Para quem cultiva milho, uva, pêssego ou hortaliças, a recomendação prática é documentar o dano por alguns dias, testar proteção apenas em pequena escala quando houver orientação e guardar os registros para discutir a solução com assistência técnica e órgão ambiental.

Perguntas frequentes

Posso matar maritacas porque estão causando prejuízo?

Não por conta própria. A fauna silvestre é protegida, e matar, perseguir, caçar ou apanhar aves sem autorização pode configurar crime ambiental. Procure o órgão ambiental competente antes de qualquer medida de captura ou controle.

O problema acontece em todo o Brasil?

A notícia do Mapa relata prejuízos apresentados no Circuito das Frutas, em São Paulo. Isso não permite afirmar que a mesma intensidade ocorra em todas as regiões ou culturas.

Qual é a primeira providência?

Registrar cultura, área afetada, horário, quantidade de aves e padrão do dano. Com esse material, busque assistência técnica e orientação ambiental local.

Fontes consultadas

Mapa: simpósio sobre prejuízos causados por maritacas a agricultores; Lei nº 9.605/1998, art. 29; Ibama: fauna silvestre.

Imagem destacada: Marco Antônio/Wikimedia Commons, “Maritacas na antena do vizinho”, CC BY-SA 2.0. Imagem contextual: Dario Sanches/Wikimedia Commons, “Aratinga leucophthalma -in tree -Brazil-6.jpg”, CC BY-SA 3.0.

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