Pulverizador Costal a Bateria Jacto 20L em 2025: Vale a pena trocar o motor a gasolina?

Em 2018, estava numa propriedade de hortaliças em Cambé, no Paraná, observando um produtor tentar ligar um pulverizador costal a motor de explosão antigo. Era 5 da manhã, o orvalho estava pesado e o tal do Zeca — não é o nome real, mas serve — estava suado até a cintura apenas puxando o cordão de arranque. Três dias depois, encontrei ele numa farmácia com o cotovelo inflamado, resultado do esforço repetitivo e do peso da máquina mal distribuída. Na semana passada, voltei lá. O mesmo Zeca estava terminando a pulverização de um canteiro de alface com um modelo a bateria Jacto de 20 litros, sem suar frio e, principalmente, sem o barulho ensurdecedor de um motor a gasolina. Perguntei se ele sentia falta da “força” do antigo. Ele riu e apontou para a lombária. A diferença não está só no ruído, está na coluna. Mas, será que essa tecnologia de bateria aguenta o tranco do dia a dia ou é apenas conforto disfarçado de eficiência?

Ergonomia e o peso real: o mito dos 20 litros vazios

A primeira coisa que todo mundo erra ao analisar um costal de 20 litros é achar que o peso da máquina é o problema. O erro é clássico. O pulverizador da Jacto, modelo JBH 20 ou similares da linha a bateria, tem uma estrutura ergonômica que até ajuda, mas física é física: você vai carregar água, defensivo e o peso do aparelho. Na prática, quando enche o tanque, você está com quase 25 quilos nas costas. Se o solo for inclinado ou a lavoura for de banana ou café onde você precisa subir e descer, o esforço cardiorrespiratório é grande.

Pulverizador costal aplicação hortifruti 2025
Aplicação em hortifruti: o fator peso define o rendimento real do operador em 2025. Foto: Arquivo Técnico.

Onde o modelo a bateria ganha do motor a explosão é na distribuição de peso. Nos modelos antigos a gasolina, o motor ficava na parte superior ou muito lateral, desequilibrando o centro de gravidade. A Jacto posicionou a bateria e o motor elétrico numa posição mais baixa e centralizada no costal novo. Dá pra sentir na lombar após duas horas de serviço. O cansaço muscular muda de tipo: você sente o peso das pernas, mas deixa de ter aquela tensão constante no trapézio tentando compensar o motor pendurado de um lado.

Autonomia da bateria na prática: o quanto ela aguenta sem mentir

Aqui é onde a propaganda costuma pecar. Folheto diz “alta autonomia”, mas o que é alto? Na minha experiência, com uma bateria de lítio de boa capacidade — o padrão que a Jacto tem adotado nos modelos mais recentes — você consegue pulverizar algo em torno de 4 a 6 tanques completos, dependendo da pressão de trabalho. Se você abrir a vazão máxima para aplicar uma calda pesada, a descarga é rápida. Se trabalha em baixa pressão, só com bicos leves, a bateria dura o dia todo.

Tive um caso em Atibaia, SP, com um produtor de morango que reclamava que a bateria “não segurava o turno”. Fui a campo ver. O cara estava usando um bico que exigia 150 libras de pressão constante, numa cultura que precisava de no máximo 60. Claro que a bateria morreu no meio da tarde. O equipamento é bom, mas o operador precisa entender que a relação consumo x carga segue a lei da conservação de energia. Não existe milagre. Quem ajustou a pressão e o bico certinho viu que aguenta uma jornada de 6 a 8 horas tranquilamente, tempo suficiente para descansar a bateria enquanto se almoça.

Carregamento de bateria equipamento agricola 2025
Gestão de carga: o intervalo do almoço é vital para recarregar a bateria em 2025. Foto: Arquivo Técnico.

Estabilidade de pressão e qualidade da gota

Esse ponto é técnico e decide se a doença é controlada ou não. Motores a explosão, por natureza, oscilam a rotação. Eles “respiram”, aceleram e desaceleram conforme a carga e o nível de combustível. Isso faz a pressão da barra variar. Você sai com 60 PSI e termina a rua com 40 PSI. O resultado? Gotas maiores no final da rua, menos cobertura e derivas variadas.

O motor elétrico da Jacto, especialmente nas versões com controle eletrônico, mantém a pressão muito mais estável. A eletrônica corrige a rotação quase instantaneamente. Para culturas sensíveis como tomate ou uva de mesa, isso é vital. Você consegue manter o espectro de gota mais homogêneo do começo ao fim do tanque. Já vi testes comparativos — nada oficial de laboratório, mas observações de campo — onde a uniformidade de deposição foliar melhorou visivelmente em comparação aos costais a gasolina antigos que estavam na mesma propriedade. A doença parou de progredir nos talhões tratados com o elétrico simplesmente porque a calda chegou de forma mais uniforme.

Manutenção: a dor de cabeça a menos (e a nova que aparece)

Se você já passou um domingo à noite limpando carburador de motor costal, sabe do que estou falando. Motores a gasolina de dois tempos são sensíveis à mistura de óleo. O operador esquece de colocar o óleo na gasolina na medida certa e o motor “gruda”. Vela suja, filtro de ar entupido com poeira… é manutenção constante.

No modelo a bateria, a mecânica se resume à bomba e ao rotor. O gasto com velas e carburadores some. Porém, tem o problema da bateria. Ela tem vida útil cíclica. Em três ou quatro anos, dependendo de como você recarrega — se deixa descarregar totalmente ou se recarrega quente — a autonomia começa a cair. E trocar uma bateria original dessas não é barato, sai mais caro do que um motor de explosão novo. Então, a manutenção de curto prazo é praticamente zero, o que é ótimo, mas você precisa reservar um fundo para a troca da bateria no médio prazo.

Manutenção equipamento agricola preventiva
Limpeza da bomba: menos sujeira de óleo, mas cuidado com a química da calda em 2025. Foto: Arquivo Técnico.

Comparativo de Custo: Gasolina x Elétrico em 5 Anos

Muita gente olha só o preço da etiqueta. O costal a bateria é mais caro na compra. Mas vamos rasgar o papel de parede e olhar o caixa ao longo de 5 safras, que é uma vida útil razoável para o equipamento antes de começar a dar problemas grandes. Lembrando: são valores médios de mercado, variam por estado e imposto, mas servem para base de raciocínio.

Item de CustoMotor a Gasolina (Convencional)Bateria Jacto 20L (Elétrico)
Investimento Inicial (Máquina)R$ 1.800,00R$ 3.200,00
Combustível (Média 5L/semana)R$ 2.500,00 (acumulado 5 anos)R$ 0,00 (Energia elétrica é irrisória)
Manutenção (Velas, Carp., Bomba)R$ 1.200,00 (média anual alta)R$ 300,00 (Limpeza e reparos leves)
Troca de Bateria (Previsão ano 4 ou 5)R$ 0,00R$ 1.100,00 (estimativa)
Total Estimado 5 AnosR$ 5.500,00R$ 4.600,00

Os números acima são uma estimativa baseada em uso moderado de 3 dias por semana. Quem usa 6 dias por semana, o custo de gasolina dobra, pesando ainda mais para o lado do elétrico. O custo da bateria é o “troco” que você paga no final, mas o gasto com gasolina e óleo 2T sangra todo mês.

Especificações Técnicas: O que a embalagem não conta

Para o técnico que gosta de ver os dados frios, montei um comparativo focado nas características operacionais que definem o rendimento no campo. Não basta saber que é “forte”, precisa saber o alcance e a vazão real.

CaracterísticaPulverizador Costal a GasolinaPulverizador Jacto Bateria 20L
Capacidade do Tanque15 a 20 Litros20 Litros
Tipo de BombaPistão ou Diafragma (movimento mecânico)Diafragma Elétrico
Pressão de Trabalho (Bar)2 a 5 Bar (oscilação comum)1,5 a 5 Bar (Eletrônico estável)
Nível de Ruído (dB)Alto (>95 dB) – Proteção obrigatóriaBaixo/Médio (<75 dB) – Melhor convivência
Peso Líquido (vazio)~7,5 a 9 kg~6,0 a 7,5 kg (Sem combustível)
PartidaManual (Cordão de arranque)Botão / Gatilho (Instantânea)
Aplicação defensivo agrícola bico pulverizador
Detalhe do bico: a tecnologia de aplicação depende mais da ponta do que do motor em 2025. Foto: Arquivo Técnico.

Onde o pulverizador a bateria mais quebra a cara no campo (e como não entrar nessa)

Não é tudo perfeito. Tenho visto produtores comprando esse equipamento achando que é um mini-avião. O maior fracasso acontece em culturas de porte muito alto, como café antigo ou pomares de citros não podados. As mangueiras padrão que vêm no kit costam ser curtias, muitas vezes de 1,5 ou 2 metros. Se você precisa jogar a calda de baixo para cima a 4 metros de altura, a pressão de 5 Bar de um costal — seja elétrico ou a gasolina — não resolve. A gota não tem energia cinética suficiente para atravessar a copa e atingir o alvo, ela evapora antes ou fica na parte externa.

Outro ponto onde o equipamento falha é na negligência do operador. Como ele é silencioso, tem gente que acha que pode deixar ligado o dia todo. Se o motor estiver em “stand-by” com a lança fechada por muito tempo, a pressão interna na bomba aumenta e pode estourar alguma vedação ou danificar a membrana. O motor a gasolina morria se você fizesse isso, o elétrico aquece quietinho até quebrar. O operador precisa ter disciplina para desligar o aparelho durante as caminhadas longas entre os canteiros.

E tem o problema do suporte técnico. Se a bateria pifar na sexta-feira à noite e você precisa aplicar no sábado de manhã, você fica na mão. Não dá pra ir na farmácia e comprar um parafuso para consertar bateria de lítio. O estoque de peças de reposição da Jacto é bom, mas nem sempre está na loja da esquina do interior, exige pedido ou transporte de cidade grande. Se seu serviço não pode parar, ter duas baterias já é um requisito, não um luxo.

Veredito de campo: Quem realmente precisa investir?

Depois de rodar mais de cinquenta propriedades que tentaram essa transição nos últimos quatro anos, te falo o seguinte: se você tem até 5 hectares de hortaliças, morango, batata ou viveiros de café, o custo compensa. O conforto do silêncio e a eliminação da mistura de óleo 2T fazem o operador reclamar menos e trabalhar melhor. A estabilidade de pressão ajuda a não errar na dose.

Agora, se você tem uma grande área de grãos ou cultura perene extensiva, o costal — seja ele qual for — já é ferramenta errada. Você está precisando de um trator com barras, não de um operador carregando 25kg nas costas. O custo por hectare aplicado com costal é proibitivo em grandes áreas, além da insalubridade. O pulverizador a bateria é uma evolução para o pequeno e médio produtor que busca precisão, não para substituir máquinas pesadas.

Por fim, cuidado com a “bateria pinga-pong”. Muita gente compra a máquina, usa por duas safras, a bateria perde capacidade e não quer comprar a nova de R$ 1.000,00. A máquina vira um enfeite ou uma adaptação precária. Se vai entrar nesse barco, calcule o custo do segundo jogo de baterias já no primeiro orçamento. Fazendo essa conta com honestidade, o Jacto a bateria 20L é uma ferramenta excelente, robusta e que entrega o que promete, desde que você saiba que não é mágica, é só engenharia bem aplicada.