Milho dispara 40%: Preço recorde pressiona frango e carne em 2023

O milho dispara 40% nos preços ao longo de 2023, forçando avicultores e pecuaristas a recalcular custos de produção em todo o país. Essa alta recorde, puxada pela safrinha menor no Centro-Oeste e demanda externa aquecida, já eleva o custo da ração em até 70% para quem cria frango no Rio Grande do Sul.

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Milho dispara 40%: Fatores que impulsionam a escalada

A quebra na segunda safra de milho, afetada por secas no Mato Grosso, reduziu a oferta em cerca de 10 milhões de toneladas, conforme dados da Conab. Exportações para a China, que absorveram volumes expressivos no primeiro semestre, agravaram a escassez interna e empurraram cotações para R$ 75 a saca em Campinas, segundo o Cepea.

Agricultores no Paraná relatam vendas acima de R$ 80 no spot, um patamar inédito que reflete não só o clima adverso, mas também o câmbio favorável. Quem armazena grãos sente o alívio imediato, mas cooperados sem estoque enfrentam margens apertadas ao comprar para ração.

Avicultura sente o baque primeiro

Integrados de frango no Sul, onde o milho representa 60% do custo da ração, veem o lucro encolher com essa disparada. Um técnico da Cooperativa Central Aurora, em Santa Catarina, comentou em fórum do setor que o volume extra de R$ 0,20 por quilo vivo já ameaça contratos de fornecimento para processadoras.

No Nordeste, avicultores do Piauí, que importam milho do Tocantins, pagam frete somado à alta e cortam lotes de pintinhos. Essa pressão cascata para o consumidor, com frango inteiro subindo 15% nas gôndolas de Teresina, conforme relatos em grupos de WhatsApp de produtores locais.

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Pecuaristas de corte e leite buscam saídas

Para bovinistas no Goiás, o milho caro encarece o confinamento, onde o grão entra com 40% na dieta. Fazendeiros em Rio Verde ajustam lotes e migram para volumosos como silagem de sorgo, mas o impacto no peso de abate já aparece nos leilões semanais, com arroba do boi gordo oscilando para cima.

No Norte, pecuaristas do Pará, dependentes de milho de Rondônia, relatam em vídeo no YouTube do canal AgroPará que o aporte maior na alimentação animal reduz a margem em 20%. Cooperativas como a Emater-PA orientam misturas com farelo de soja, mas o milho continua dominante.

Estratégias práticas para mitigar o milho dispara 40%

Ruralistas experientes apostam em contratos futuros na B3 para travar preços abaixo de R$ 70, evitando surpresas no pico da entressafra. Outros, como os cooperados da Copacol no Paraná, investem em silos para estocar da safra verão e driblar picos.

Adubação eficiente na soja de rotação libera nitrogênio residual para milho safrinha, elevando produtividade em 5 sacas por hectare, segundo estudos da Embrapa Milho e Sorgo. No Nordeste, produtores de milho no Maranhão testam variedades precoces para antecipar colheita e fugir de geadas tardias.

Empresas de nutrição animal, como a Cargill, lançam rações com subprodutos de etanol, reduzindo dependência do grão em 15%. Quem planta milho segunda safra avalia seguro agrícola da Agrosegur, que cobre perdas por seca e libera crédito rápido para recompras.

Perspectivas para o final de 2023 e além

Com plantio da safrinha avançando sob chuvas irregulares no Centro-Oeste, analistas do Rabobank preveem estabilização só em março, se a produtividade voltar a 80 sacas por hectare. Enquanto isso, suinocultores no Oeste paranaense pressionam por subsídios em rações, ecoando pleitos de associações como a ABPA.

O milho dispara 40% ainda testa a resiliência do setor, mas abre portas para diversificação em culturas resistentes como sorgo no semiárido baiano. Produtores atentos a boletins da Conab e cotações diárias do Cepea posicionam melhor os estoques e negociações, garantindo fôlego até a próxima colheita.

Fique de olho nas rodadas de leilões do governo para liberação de estoques reguladores e ajuste seu planejamento de ração agora, antes que o pico aperte mais.