BRS Áurea: onde a nova pera faz sentido no pomar pequeno

A Embrapa apresentou a BRS Áurea, nova cultivar de pera indicada para regiões produtoras do Sul do Brasil. A variedade foi testada no Rio Grande do Sul, tem colheita concentrada em janeiro e produtividade estimada de 25 a 30 toneladas por hectare nas condições avaliadas. Para o pequeno produtor, a decisão não é comprar muda por causa do número: é conferir se o pomar tem frio suficiente, mercado para fruta fresca e estrutura para colher e armazenar com cuidado.

A cultivar foi registrada no Registro Nacional de Cultivares em maio de 2025. Ela nasceu do cruzamento entre as peras Hosui e Abate Fetel e passou por quase 20 anos de seleção, avaliação agronômica e validação em Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul. As mudas podem ser reservadas no Viveiro São Francisco, licenciado pela Embrapa, com entrega prevista para a segunda quinzena de julho do ano seguinte à reserva, conforme a disponibilidade.

Frutos da pera BRS Áurea em árvore no pomar

O que muda para o pomar pequeno

A BRS Áurea foi desenvolvida para preencher uma lacuna conhecida: o Brasil ainda produz menos pera do que consome e depende de fruta importada. A nova opção pode interessar a quem já tem clima de inverno adequado e quer diversificar um pomar de frutas temperadas. Não é uma indicação para qualquer região do país.

Nos ensaios, os frutos foram médios a grandes, com massa entre 145 e 190 gramas. A casca fica amarelo-alaranjada ou dourada quando madura. A polpa é branca, crocante e suculenta. Essas características ajudam na venda direta, em feiras e para pequenos mercados, mas não substituem a conversa prévia com compradores. Fruta bonita que amadurece toda na mesma semana também pode virar perda se não houver saída.

Frio é o primeiro filtro

A recomendação técnica é para regiões que acumulam entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C no inverno. Esse dado precisa ser conferido para o local do pomar. Uma propriedade na serra pode atender ao requisito, enquanto outra poucos quilômetros adiante pode ter exposição, altitude e circulação de ar diferentes.

Antes de reservar mudas, registre as temperaturas da área por mais de um inverno ou procure uma série climática confiável para o município. Também confira a disponibilidade de água, o risco de geada na baixada e a drenagem. A cultivar não corrige solo encharcado, falta de irrigação ou uma área que não acumula frio suficiente.

Colheita antecipada e cuidado com a fruta

Nas áreas avaliadas, a colheita ocorreu principalmente entre 5 e 20 de janeiro, cerca de 106 dias depois da plena floração. A antecipação pode abrir espaço de comercialização antes de outras peras, mas exige mão de obra concentrada. Para um pomar familiar, vale planejar caixas, sombra, seleção e transporte antes da primeira carga.

A fruta é delicada e pode sofrer danos por impacto. A recomendação é colher, classificar, embalar e transportar sem jogar as peras em caixas profundas ou deixar os frutos soltos na carroceria. O ganho de qualidade da cultivar pode desaparecer com batida, calor e demora no resfriamento.

Produtividade não é promessa para todo talhão

O intervalo de 25 a 30 toneladas por hectare foi estimado em sistema de alta densidade, com plantas enxertadas sobre marmeleiro Adams e espaçamento de quatro metros entre filas por um metro entre plantas. É um resultado de condições avaliadas, não uma garantia para qualquer pomar.

Em uma propriedade pequena, a conta deve incluir mudas, tutoramento, condução, poda, irrigação, telas ou manejo contra pragas, caixas, classificação e mão de obra. A área nominal do pomar também não diz quanto sobra no bolso. Faça um teste com poucas plantas e anote pegamento, floração, carga, descarte e preço líquido antes de ampliar.

Menos mosca-das-frutas, mas não dispensa monitoramento

Nos ensaios, a BRS Áurea apresentou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira. Também teve menor infestação de mosca-das-frutas que a pera Rocha: em uma avaliação, 10% dos frutos da BRS Áurea foram infestados, contra 70% da Rocha. Em exposição direta aos insetos, os índices foram de 40% e 100%, respectivamente.

Esses números mostram uma característica favorável, não uma licença para abandonar o pomar. A própria Embrapa mantém a recomendação de monitorar e manejar a praga. O produtor deve acompanhar frutos danificados, retirar material caído, cuidar do entorno e usar somente medidas autorizadas para a cultura e a situação local.

Vale plantar a BRS Áurea?

Para pomar pequeno no Sul, com 400 a 600 horas de frio, água disponível e venda organizada de fruta fresca, a BRS Áurea merece um teste em área curta. A colheita precoce, o tamanho dos frutos e a menor suscetibilidade observada à mosca-das-frutas são pontos de interesse.

Não vale plantar em escala antes de confirmar o frio local e o comprador. A cultivar ainda exige manejo, cuidado pós-colheita e controle de perdas. A melhor decisão é reservar mudas de origem licenciada, começar pequeno e comparar o resultado real do talhão com o custo completo do pomar.

Perguntas frequentes sobre a BRS Áurea

A BRS Áurea serve para qualquer região do Brasil?

Não. A recomendação informada é para regiões produtoras de pera com 400 a 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C, principalmente no Sul.

Quando a pera BRS Áurea é colhida?

Nas condições avaliadas, a colheita ocorreu principalmente entre 5 e 20 de janeiro.

A cultivar dispensa o controle da mosca-das-frutas?

Não. Ela apresentou menor suscetibilidade nos ensaios, mas o pomar continua precisando de monitoramento e manejo adequado.

Onde reservar mudas da BRS Áurea?

As mudas podem ser reservadas no Viveiro São Francisco, licenciado pela Embrapa. A entrega depende da disponibilidade de material.