Acordo Mercosul-União Europeia volta ao radar e abre portas para o agro brasileiro

A Comissão Europeia aprovou o texto do Acordo Mercosul-União Europeia nesta semana, reacendendo as expectativas no campo brasileiro. Produtores de carne, soja e etanol já veem nisso uma chance real de ampliar negócios na Europa, após anos de negociações travadas.

O passo em Bruxelas não significa assinatura imediata, mas pavimenta o caminho para ratificação nos parlamentos dos 27 países do bloco europeu. Ruralistas do Centro-Oeste, que exportam volumes expressivos de grãos, acompanham de perto, enquanto cooperados no Nordeste miram no mercado de açúcar.

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diplomats handshake, trade agreement signing, Mercosur EU flags

O que o Acordo Mercosul-União Europeia reserva para quem planta

Eliminação de tarifas em 91% das exportações agrícolas brasileiras abre portas para 99 milhões de euros em carne bovina por ano. No Mato Grosso, onde abatedouros processam rebanhos para o exterior, esse montante pode injetar recursos extras em unidades familiares e grandes grupos. A Abiec estima ganho de 30% nas vendas para a UE, aliviando estoques acumulados após secas recentes.

Para a soja, o impacto recai sobre o Norte, com o Pará liderando embarques via Belém. Portos locais já registram alta de 15% nos volumes destinados à Europa em 2023, segundo a Aprosoja. Agricultores dali relatam em fóruns como o do Canal Rural que custos logísticos caem com rotas mais seguras, reduzindo o frete em até 10% por tonelada.

No etanol, o setor de usinas em São Paulo e no Nordeste ganha cota inicial de 600 mil toneladas sem tarifa, expansível para 2,1 milhões. Cooperativas como a Copersucar veem nisso contrapartida ao fim de subsídios europeus ao biocombustível local, equilibrando a balança comercial.

Resistências na Europa e como o Brasil responde

França e Áustria questionam padrões ambientais do acordo, com o presidente Macron ameaçando veto. Produtores franceses de aves e laticínios temem concorrência desleal, mas Bruxelas reforça cláusulas de sustentabilidade, como rastreabilidade de desmatamento zero para cortes bovinos. O governo Lula enviou carta à UE reafirmando compromissos do PPCDAm, citando redução de 50% no desmate da Amazônia desde 2023, conforme dados do Inpe.

Empresas como a JBS, com plantas no Paraná, adaptam certificados para atender exigãncias de bem-estar animal. Técnicos de campo no Sul relatam em vídeos do YouTube do Canal do Produtor que rastreio por blockchain já é rotina em 40% das fazendas certificadas, facilitando acesso ao mercado europeu.

A group of men standing next to each other on a dirt road

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Impactos regionais e preparação no campo

No Nordeste, usinas de cana em Alagoas e Pernambuco posicionam-se para o açúcar, com cotas de 180 mil toneladas iniciais sem imposto. A Unica aponta que isso pode elevar receitas em 200 milhões de dólares anuais, beneficiando 300 mil empregos diretos. Ruralistas locais, em assembleias da FPA, discutem investimentos em irrigação para dobrar produtividade.

No Rio Grande do Sul, arrozeiros miram nichos de frutas tropicais, com redução de 20% nas tarifas para manga e abacaxi. Cooperativas como a Cotrijal testam pomares em Pelotas, relatando em boletins que amostras enviadas a Hamburgo receberam elogios por qualidade. Essa diversificação reduz dependência de commodities básicas.

Estudos da Embrapa em Brasília simulam cenários: com o pacto, o PIB agro cresce 0,6% ao ano até 2030. Mas exige ajustes, como genética resistente em lavouras do Cerrado para cumprir normas fitossanitárias da UE.

Riscos e próximos passos para o setor

Eleições europeias em junho podem endurecer posições protecionistas, adiando a ratificação para 2025. O Itamaraty pressiona em Genebra, enquanto entidades como a CNA mobilizam embaixadas para lobby em Berlim e Madri. Quem planta deve monitorar atualizações no site da CNI, preparando certificados com antecedência.

Cooperados no Mato Grosso do Sul já formam grupos para auditorias europeias, inspirados no caso da Lar Cooperativa, que exporta para a Alemanha há anos. Plataformas como o AgroHub oferecem treinamentos online gratuitos sobre embalagens conformes.

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O Acordo Mercosul-União Europeia exige atenção redobrada agora, com associações recomendando contato com bancos para crédito de exportação. Verifique portais da Apex-Brasil para webinars próximos e posicione sua produção para esse novo ciclo de oportunidades.