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Agricultura

Praga quarentenária é interceptada em carga de caquis: o que o produtor deve conferir

O Mapa interceptou Liposcelis decolor em 360 quilos de caquis da Espanha. Veja o que a barreira fitossanitária muda para o produtor de frutas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) interceptou a praga quarentenária ausente Liposcelis decolor em uma carga de 360 quilos de caquis frescos da Espanha. A carga chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, em 19 de setembro de 2026. A identificação foi confirmada por laboratório credenciado no próprio ministério.

O caso não significa que a praga esteja instalada no Brasil. Significa que a fiscalização encontrou o risco antes da liberação da carga. Para quem produz frutas, a notícia reforça três cuidados práticos: origem comprovada, rastreabilidade no transporte e comunicação rápida de qualquer suspeita fora do padrão.

Árvore de caqui com frutos e pássaros nos galhos
O controle fitossanitário protege pomares e outras cadeias que dependem do trânsito seguro de produtos vegetais. Foto: Robert/Wikimedia Commons, CC BY 3.0.

O que o Mapa encontrou na carga

Segundo o Mapa, a equipe da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) identificou o organismo durante a inspeção da remessa. Depois da confirmação laboratorial, a carga recebeu fumigação com brometo de metila, uma medida emergencial de mitigação do risco fitossanitário. O lote não foi tratado como produto liberado para seguir normalmente.

A espécie está enquadrada como praga quarentenária ausente pela Portaria SDA/MAPA nº 1.679/2026. Essa classificação é usada para pragas que não estão presentes no território nacional, mas têm potencial de importância econômica para uma área em perigo caso sejam introduzidas.

Por que uma carga de caqui interessa ao produtor

A fiscalização ocorreu no aeroporto, mas o efeito esperado é no campo. O controle de entrada busca impedir que uma praga ausente chegue a pomares, unidades de seleção, armazéns e outros pontos da cadeia. O risco não está só na fruta: embalagens, veículos, solo, substratos e outros materiais também podem estar sujeitos a regras fitossanitárias quando conseguem abrigar ou disseminar pragas.

Isso não autoriza concluir que exista um problema em pomares brasileiros de caqui. Também não é motivo para aplicar inseticida ou fazer tratamento preventivo por conta própria. A notícia trata de uma interceptação em produto importado, não de uma ocorrência confirmada dentro de uma propriedade nacional.

O que conferir antes de comprar ou transportar frutas

Para o pequeno produtor, a lição mais útil é documentar o caminho do produto. Ao comprar mudas, estacas, frutos ou outros materiais vegetais, guarde a identificação do fornecedor, a origem, a nota fiscal e o lote quando houver. Na venda para outro estado, confirme com o órgão estadual de defesa sanitária vegetal ou com o responsável técnico quais documentos se aplicam à cultura e ao destino.

O Mapa informa que o trânsito de artigos regulamentados pode exigir Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV), apoiada em documentos como Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) ou Certificado Fitossanitário de Origem Consolidado (CFOC). A exigência não é igual para toda carga. Produto, origem, destino e praga de interesse mudam a regra.

O caminho para conferir a exigência é o Catálogo de Exigências Fitossanitárias para o Trânsito Interestadual (CEFiTi). Se a carga sai do sítio para uma central de abastecimento em outro estado, essa consulta evita que a fruta seja barrada por falta de documento ou por transporte fora das condições exigidas.

Se aparecer um organismo desconhecido

Não é preciso esperar uma identificação definitiva para comunicar uma suspeita de praga quarentenária, exótica ou emergente. O Mapa orienta enviar a descrição do problema, município, local, data, imagens quando possível e contato do comunicante para alertapragas@agro.gov.br. Também é possível procurar a Superintendência Federal de Agricultura no estado.

Na prática, evite misturar um lote suspeito com os demais até receber orientação oficial. Registre a origem e fotografe o material sem espalhar a carga para outros pontos da propriedade. A comunicação rápida dá ao serviço de defesa a chance de avaliar o caso antes que o problema se alastre.

O que esta interceptação não muda

A ocorrência não muda, por si só, o manejo de um pomar brasileiro. Não há, na comunicação do Mapa, recomendação de pulverização, erradicação ou inspeção extraordinária em propriedades de caqui. O que muda é a atenção com a entrada e o trânsito de materiais vegetais.

Para o produtor, a recomendação é objetiva: compre material de origem rastreável, confira as exigências do destino antes de carregar a fruta e comunique sinais incomuns sem tentar resolver um caso de defesa sanitária sozinho. A barreira que reteve a carga em Guarulhos funciona melhor quando a propriedade também mantém registro e vigilância.

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O Agrocim já explicou o que o produtor deve observar quando uma praga quarentenária é barrada em uma carga de aspargos. O princípio é o mesmo: não confundir interceptação na fiscalização com presença confirmada na lavoura.

Fontes oficiais

Mapa: praga quarentenária é interceptada em carga de caquis da Espanha.

Mapa: Quarentena e Controle de Trânsito de Vegetais.

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