Na escolha de uma pastagem, olhar só o preço do saco de sementes pode sair caro. Em apresentação feita na 34ª Expoabra, o pesquisador Marcelo Ayres, da Embrapa Cerrados, afirmou que a cultivar representa cerca de 10% do custo total de implantação do pasto, considerando as operações. A recomendação prática é comparar adaptação, produção de folhas, resistência e manejo, não apenas o valor pago na compra.
A Embrapa também apontou que 80% das cultivares de forrageiras usadas na pecuária brasileira ainda são materiais desenvolvidos entre as décadas de 1970 e 1990. Isso não significa que toda pastagem antiga precise ser arrancada. Significa que a troca deve entrar na conta quando há reforma, queda de suporte ou dificuldade para atravessar a seca.

O que muda para a pequena propriedade
O ganho não vem de uma cultivar sozinha. Depende do solo, da chuva, do objetivo do rebanho e do manejo. Uma área de cria e recria em solo arenoso e de baixa fertilidade não enfrenta o mesmo problema de um pasto intensivo, adubado e manejado em rotação.
Por isso, a decisão começa pelo diagnóstico da área. O produtor precisa separar talhões, observar a fertilidade e a drenagem, conferir o histórico de pragas e doenças e definir se busca mais produção na seca, maior lotação ou facilidade de manejo. A escolha deve respeitar a recomendação oficial para a região e para o sistema de produção.
Exemplos de cultivares citados pela Embrapa
A BRS Carinás, lançada em 2026, é um híbrido de Brachiaria decumbens desenvolvido para o Cerrado. A Embrapa informa que ela mantém tolerância a solos ácidos e de menor fertilidade, com maior produção de folhas e cobertura mais rápida que a braquiarinha tradicional. A área precisa, ainda assim, receber correção e manejo compatíveis com a análise do solo.
Para sistemas de cria e recria em ambientes mais restritivos, a BRS Sarandi foi recomendada pela Embrapa para solos de baixa fertilidade, inclusive pedregosos e arenosos, no Cerrado. A cultivar também se destaca pela rebrota mais rápida na transição entre seca e chuva. A própria ficha técnica delimita as regiões de recomendação: Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste dentro dos estados listados pela instituição.
Já a BRS Paiaguás foi descrita como opção para solos de média fertilidade nos Cerrados, com maior acúmulo de forragem de qualidade no período seco. A BRS Zuri é indicada preferencialmente para pastejo rotacionado e solos bem drenados nos biomas Amazônia e Cerrado.
Como conferir antes de comprar semente
- Faça ou atualize a análise de solo do talhão. A cultivar não corrige acidez, compactação ou falta de nutriente.
- Confira a região, o bioma, a fertilidade e o sistema de pastejo indicados na ficha técnica. Não copie a escolha de uma fazenda com clima ou solo diferente.
- Calcule o custo completo da reforma: preparo, correção, adubação, semeadura, controle de invasoras, cercas e tempo sem uso do pasto.
- Compre semente de origem regular e guarde a nota e o lote. A cultivar certa não compensa produto sem qualidade ou plantio fora da condição recomendada.
Quando a troca vale a pena
A reforma tende a fazer mais sentido quando a pastagem perdeu cobertura, não sustenta o rebanho mesmo com manejo ajustado ou apresenta falha persistente na seca. Em área pequena, pode ser mais prudente começar por um talhão-problema e comparar a resposta antes de reformar toda a propriedade.
Os valores econômicos apresentados na Expoabra são comparações de um ano feitas pelo pesquisador para cultivares e condições específicas. Não são promessa de renda para qualquer fazenda. A conta da propriedade deve incluir clima, solo, custo local, lotação planejada e tempo de formação do pasto.
Fonte e leitura técnica
Embrapa: Forrageiras são a base da pecuária moderna no Brasil, publicada em 10 de setembro de 2026.