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Bovinos

Drones e inteligência artificial ajudam a apontar o momento de venda do gado

Pesquisa da Embrapa acompanha bovinos confinados com drones e inteligência artificial, mas a tecnologia ainda precisa de validação antes de chegar à pequena propriedade.

Um sistema que combina drones e inteligência artificial pode ajudar a identificar quando bovinos confinados chegam ao ponto mais eficiente para venda ou abate. A proposta acompanha o crescimento sem depender de pesagens frequentes, mas ainda está em desenvolvimento e não é um produto comercial pronto.

A pesquisa foi divulgada pela Embrapa Agricultura Digital e pelo projeto Semear Digital em 8 de maio de 2026. O estudo foi publicado na revista Computers and Electronics in Agriculture e envolveu pesquisadores da Embrapa, USP e UFGD.

Bovinos em confinamento, sistema em que a pesquisa avalia o momento de venda ou abate com apoio de imagens aéreas.
Confinamento é o ambiente avaliado no estudo. Foto: Billy Hathorn/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Como o sistema acompanha o gado

O teste ocorreu em um confinamento de Mato Grosso do Sul. Um lote foi acompanhado por 112 dias, com voos regulares de drone a cerca de 15 metros de altura.

As imagens foram usadas para identificar cada boi, separar o corpo do restante da cena e medir características como comprimento e largura. Com essa série de medidas, os pesquisadores relacionaram o desenvolvimento corporal ao ganho de peso.

O que significa o ponto de inflexão

O estudo observou três fases. Primeiro, o animal passa por adaptação. Depois, entra em uma etapa de ganho acelerado. Por fim, o ritmo diminui. O ponto de inflexão é a passagem para essa desaceleração.

Na prática, esse sinal pode ajudar a evitar dias extras de alimentação quando o ganho de peso já perdeu eficiência. A decisão, porém, não depende só da imagem. Preço da arroba, custo da dieta, sanidade, peso-alvo, contrato e logística continuam pesando na conta.

O que o pequeno pecuarista pode aproveitar agora

O produtor que trabalha com poucos animais não precisa comprar drone ou sistema de inteligência artificial por causa desta pesquisa. O resultado ainda precisa ser validado em outras raças e em escala comercial.

O aprendizado mais útil é acompanhar o lote em série. Registre entrada, consumo de ração, pesagens quando forem possíveis, tratamentos, mortalidade, preço esperado e data de venda. Uma única imagem ou uma estimativa isolada não mostra o ponto de maior retorno.

Para quem usa balança, o controle de peso em intervalos regulares ajuda a perceber quando o ganho começa a desacelerar. O manejo deve respeitar o bem-estar dos animais e o protocolo da propriedade. Drone também exige operação segura, distância dos animais e cumprimento das regras aplicáveis.

Limites antes de virar ferramenta de compra

A própria pesquisa aponta que o próximo passo é adaptar o modelo a outras raças, como Angus e Brahman, e validar o uso direto no confinamento. Por isso, não há base para prometer economia fixa, ganho de peso ou data de abate para qualquer rebanho.

A tecnologia pode reduzir manejo e melhorar a leitura do lote no futuro. Hoje, para a pequena propriedade, ela serve mais como sinal de uma ferramenta em validação do que como solução imediata. A decisão de venda deve continuar apoiada em registros do próprio rebanho e no custo real da dieta.

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Fonte: Semear Digital/Embrapa. Pesquisa publicada em 8 de maio de 2026.

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