Pular para o conteúdo
Bovinos

Mosca-do-estábulo provoca mortes de animais em SP: o que o pequeno criador deve conferir

Infestação de mosca-do-estábulo matou animais em Tanabi. Veja os sinais no rebanho, os focos de umidade e os cuidados antes de aplicar qualquer produto.

Uma infestação de mosca-do-estábulo atingiu propriedades do noroeste de São Paulo e já provocou mortes de animais em Tanabi. Para o pequeno criador, o sinal de alerta é claro: gado inquieto, agrupado, com perda de apetite ou enfraquecimento exige vistoria rápida e orientação de médico-veterinário.

A mosca se alimenta de sangue. Em surtos, o problema não fica restrito ao incômodo: o ataque repetido aumenta o estresse dos animais e pode derrubar o consumo de alimento. O caso noticiado nesta quarta-feira (9) também recoloca a vinhaça e os pontos de umidade no centro da fiscalização.

Gado em pastagem, imagem de referência para alerta sobre mosca-do-estábulo
Gado em pastagem. Imagem de referência; a infestação noticiada ocorreu em propriedades do noroeste paulista.

O que aconteceu em Tanabi

Reportagem do g1 informou que um produtor perdeu 14 animais e estimou prejuízo de R$ 70 mil. O texto também relata a morte de uma vaca em outra propriedade e ataques a outros animais. Esses números são relatos do caso local, não uma medida para todo o estado.

Em agosto, uma vistoria da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo encontrou pontos de acúmulo e empoçamento de vinhaça na principal usina da região, segundo a reportagem. O resíduo é usado como fertilizante em canaviais, mas aplicação excessiva, armazenamento inadequado e mistura com matéria orgânica podem favorecer criadouros da mosca.

O que conferir no sítio hoje

  • Comportamento do rebanho: animais que passam o dia se debatendo, ficam agrupados ou evitam pastejar merecem observação imediata.
  • Partes baixas do corpo: a mosca costuma atacar regiões como pernas e barriga. Procure grande quantidade de insetos, feridas e sinais de fraqueza.
  • Água e matéria orgânica: verifique cochos, restos de ração, palhada úmida, esterco e áreas com fermentação ou empoçamento.
  • Divisa com canavial: registre poças, vazamentos ou aplicação de vinhaça fora do padrão observado na propriedade. Fotos, datas e localização ajudam numa eventual comunicação aos órgãos responsáveis.

O controle começa no foco, não só no animal

Material técnico da Embrapa Gado de Corte e do Senar orienta que a prevenção deve priorizar a eliminação dos locais de reprodução: limpeza das áreas de manejo, drenagem de pontos úmidos e manejo correto de resíduos vegetais e esterco. A recomendação é atacar a origem do surto, porque tratar apenas as moscas adultas tende a ser uma medida paliativa.

Se os animais estiverem debilitados, o atendimento deve ser feito por médico-veterinário. Inseticidas, repelentes e período de carência variam conforme o produto e a finalidade. Não aplique produto por conta própria em leite, carne ou animais jovens sem conferir a bula e a orientação profissional.

Quando procurar ajuda

Procure assistência imediatamente se houver anemia aparente, perda rápida de condição corporal, queda forte no consumo, mortes ou grande concentração de moscas. Em caso de suspeita de problema ambiental ligado à vinhaça, comunique a prefeitura, a defesa agropecuária e o órgão ambiental da região. A vistoria da propriedade e da fonte do resíduo precisa caminhar junto com o cuidado do rebanho.

Fontes consultadas

g1 — Infestação de mosca-do-estábulo provoca mortes de animais e causa prejuízos a pecuaristas em SP.

Senar/Embrapa Gado de Corte — Mosca-dos-estábulos: epidemiologia e controle.

Embrapa Gado de Corte — prevenção de surtos pela mosca-dos-estábulos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *