Operação apreende alimento adulterado para pássaros: o que conferir no criatório
Uma fábrica de alimentos para pássaros ornamentais foi alvo da Operação Ronda Agro nesta quarta-feira (26), em Sumaré (SP). A fiscalização encontrou fipronil colocado clandestinamente na linha de produção. Dois suspeitos foram presos em flagrante, e o material foi apreendido para análise.
O caso serve de alerta para quem cria aves em pequena escala: alimento com indicação terapêutica não deve ser tratado como ração comum. Produto sem registro, origem clara, rótulo completo e orientação veterinária pode transformar uma tentativa de prevenir parasitas em intoxicação do plantel.

O que a operação encontrou
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, os alimentos eram envasados e vendidos com indicação terapêutica e antiparasitária. O fipronil e outros insumos farmacêuticos ativos também foram encontrados em endereços residenciais ligados à investigação, onde ocorria fracionamento e manipulação.
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro endereços. Participaram equipes do Mapa, da Polícia Civil de São Paulo, do Centro Integrado de Inteligência, Segurança Pública e Proteção Ambiental e do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo.
Como conferir o alimento antes de oferecer
- Rótulo: confira fabricante, composição, lote, validade, espécie indicada e finalidade do produto.
- Origem: guarde nota fiscal e compre de fornecedor identificável. Embalagem fracionada sem informação completa é um sinal para não usar.
- Promessa: alimento não substitui medicamento prescrito. Expressões como “cura”, “elimina parasitas” ou “trata” exigem atenção redobrada.
- Estado da embalagem: não ofereça produto úmido, com cheiro estranho, grãos alterados ou lacre violado.
Para um criador com poucas gaiolas ou viveiros, separar um lote suspeito é mais seguro do que testar “só em uma ave”. Recolha a embalagem, fotografe lote e validade e procure um médico-veterinário. Não descarte o produto antes de receber orientação, porque a embalagem ajuda a identificar a origem.
O que não muda com a apreensão
A fiscalização ocorreu em uma empresa investigada. Isso não significa que toda ração para pássaros ornamentais seja irregular. Também não autoriza o uso doméstico de fipronil, nem permite estimar dose segura para aves. A própria investigação ainda inclui análise laboratorial e os procedimentos previstos na legislação.
O Mapa informou ainda que a operação digital retirou mais de 500 links relacionados aos produtos investigados. Para quem compra pela internet, o cuidado continua sendo o mesmo: verificar fabricante, registro quando aplicável, rótulo, lote e documentação. Comentário de vendedor ou promessa de resultado não substitui a informação oficial do produto.
Perguntas frequentes
O fipronil pode ser misturado à ração das aves?
Não faça essa mistura por conta própria. A operação investigou justamente a inserção clandestina da substância em alimentos, sem dosagem controlada e sem prescrição.
O que fazer se a ave já comeu um produto suspeito?
Retire o alimento, preserve a embalagem e procure atendimento veterinário rapidamente. Informe espécie, quantidade aproximada e horário, sem tentar “neutralizar” o produto com outro alimento ou remédio.
Como diferenciar ração de produto terapêutico?
Leia a finalidade declarada, a composição, as instruções e a identificação do fabricante. Se o rótulo promete tratar doença ou eliminar parasitas, a compra e o uso precisam seguir a orientação profissional e a regularização correspondente.
Uma apreensão prova que o produto causou doença?
Não necessariamente. A apreensão e a coleta de amostras fazem parte da investigação. A confirmação depende das análises e dos procedimentos das autoridades.