Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027: qual linha cabe na pequena propriedade

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 já tem a tabela de linhas do Pronaf publicada. Para a pequena propriedade, a escolha agora é separar dinheiro para custeio de dinheiro para investimento e conferir se a renda, o CAF, o CAR e o projeto cabem na linha certa.

O ponto mais útil da tabela é que ela não trata toda produção do mesmo jeito. Alimento, agroecologia, sociobiodiversidade, máquinas, irrigação, pecuária e regularização fundiária aparecem com limites e juros diferentes. Isso muda a conta antes de procurar o banco.

Arte do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 com agricultora e trabalhadores em uma horta

Qual linha faz sentido para a pequena propriedade

O Pronaf B atende famílias com renda bruta anual de enquadramento de até R$ 60 mil. A tabela prevê investimento de R$ 12 mil por família com PNMPO e R$ 4 mil sem PNMPO. Para custeio, o limite é de R$ 10 mil, com juros de 0,5% ao ano e prazo de até dois anos. É a faixa para começar ou ajustar uma atividade menor, não para bancar uma expansão pesada.

Dentro do Pronaf B, agroecologia, produção orgânica e quintais produtivos para mulheres rurais têm tratamento próprio. O limite de investimento e custeio chega a R$ 20 mil por família com PNMPO, com prazo de até três anos. O enquadramento da atividade precisa ser comprovado; o nome da linha sozinho não aprova o projeto.

Para famílias com renda bruta anual de até R$ 500 mil, o Pronaf Custeio tem limite de R$ 250 mil. Os juros mudam conforme a produção: 1% para produtos da sociobiodiversidade, orgânicos, agroecológicos ou em transição; 2% na Faixa I; 5,5% para os demais produtos ou criações; e 7,5% para soja, algodão e bovinocultura de corte. A taxa menor não elimina a necessidade de calcular prazo, seguro, insumo e preço de venda.

Investimento exige conta do uso, não só do limite

O Pronaf Mais Alimentos reúne itens que aparecem no sítio com frequência: cultivo protegido, armazenagem, ordenhadeira, tanque de resfriamento, aquicultura, avicultura de postura não integrada, caprinocultura, ovinocultura, conectividade e irrigação. A tabela traz limite de R$ 250 mil para a família em várias dessas finalidades, com juros de 2%, mas o teto não é valor automático nem substitui orçamento.

Há também até R$ 40 mil para regularização fundiária do imóvel rural. Para suinocultura, avicultura, aquicultura, carcinicultura e fruticultura, o limite indicado chega a R$ 450 mil. Máquinas, equipamentos e implementos para irrigação e conectividade aparecem com limite de R$ 120 mil para família com renda bruta anual de enquadramento menor que R$ 150 mil, a juros de 1,5%.

O que conferir antes de ir ao banco

  • Confira se o CAF está válido e se a renda usada no enquadramento bate com a atividade real.
  • Separe documento de posse ou propriedade, CAR regular e orçamento dos itens.
  • Para investimento, escreva o ganho esperado: área atendida, produção, economia de mão de obra ou redução de perda.
  • Peça ao banco a taxa, a carência, o prazo total, as garantias e o valor final das parcelas por escrito.
  • Não compre equipamento antes de confirmar a linha, a aprovação e as regras de desembolso.

A contratação é feita por instituições financeiras autorizadas. O Plano Safra reúne as condições, mas não garante aprovação nem disponibilidade imediata de recurso em cada agência. O caminho mais seguro é levar a documentação e um projeto compatível com a linha, em vez de começar pelo valor máximo.

Perguntas frequentes

O Plano Safra é só crédito?

Não. Ele reúne crédito, seguro, assistência técnica, compras públicas e ações de adaptação climática para a agricultura familiar.

Quem pode acessar o Pronaf B?

Famílias dentro do limite de renda bruta anual de enquadramento de até R$ 60 mil, desde que atendam às demais regras do programa e da linha escolhida.

O teto da tabela é dinheiro garantido?

Não. O limite é o teto da operação. A liberação depende de enquadramento, projeto, análise da instituição financeira, documentação e orçamento disponível.

Quais documentos costumam ser pedidos?

CAF ou DAP quando aplicável, CAR regular, documento de posse ou propriedade e projeto técnico ou proposta simplificada, conforme a modalidade.