Feijão em Goiás: produtividade sobe, mas a margem depende do lote

O feijão ganhou um retrato atualizado em Goiás, com estimativa de 301,6 mil toneladas na safra 2025/26 e produtividade média de 2,4 toneladas por hectare. Para quem planta em pequena área, o dado ajuda a escolher mercado e calendário, mas não substitui a conta do próprio talhão.

O levantamento estadual aponta crescimento da cultura e mostra que a terceira safra responde por 58,5% do feijão goiano. A colheita avança nas principais regiões produtoras, enquanto outras lavouras seguem da floração à maturação. O momento pede cuidado com qualidade, secagem e venda.

Vagens de feijão verde reunidas após a colheita
Vagens de feijão em imagem contextual da cultura; a foto não representa uma lavoura específica de Goiás.

O que os números mostram

Na comparação com a média brasileira estimada para a safra, Goiás aparece com rendimento superior. O estado também teve avanço de 7% na produção e de 10,7% na área plantada ao longo dos últimos cinco anos. Esses números são médias estaduais. Em uma propriedade familiar, solo, irrigação, cultivar, época de plantio e pressão de mosca-branca mudam o resultado.

A produção não está concentrada em poucos municípios. Em 2024, o feijão esteve presente em 91 municípios goianos, contra 81 no ano anterior. Cristalina liderou área e produção. Água Fria de Goiás teve o maior avanço entre os principais produtores, e Padre Bernardo registrou a maior produtividade municipal informada no levantamento.

Como transformar o levantamento em decisão

  • Compare o seu custo. Anote semente, adubo, irrigação, mão de obra, colheita, secagem, ensaque e frete. A produtividade estadual não diz quanto sobra por saca na sua propriedade.
  • Separe o feijão por qualidade. Umidade, impurezas, grãos quebrados e uniformidade interferem na classificação. Misturar lotes diferentes pode reduzir o poder de negociação.
  • Não plante só olhando o VBP. O valor bruto da produção do feijão em Goiás foi estimado em R$ 1,8 bilhão para 2026, mas isso é faturamento estimado do setor. Não é lucro, preço garantido nem receita de cada agricultor.
  • Confira as regras sanitárias. No estado, o calendário informado para semeadura vai de 21 de outubro a 30 de junho. Há também vazio sanitário de 20 de setembro a 20 de outubro nos municípios definidos pela regulamentação. A lavoura precisa ser cadastrada e os restos culturais, eliminados conforme a regra local.

Preço maior depende do lote, não só da safra

O levantamento registra média de R$ 309,38 por saca de 60 quilos para o feijão carioca em julho de 2026, no recorte informado para o Leste Goiano. O valor caiu 14,1% ante junho, quando a colheita aumentou a oferta. Em maio, a média havia chegado a R$ 386,45 por saca.

Essas referências não são cotação garantida na porteira. O produtor precisa descontar transporte, classificação, armazenagem, comissão e prazo de pagamento. Antes de fechar, vale pedir a especificação do lote comprado e comparar o valor líquido de pelo menos dois canais.

O risco que merece atenção na lavoura

A mosca-branca pode transmitir o vírus do mosaico dourado do feijoeiro. A orientação estadual inclui cadastro, calendário de semeadura, vazio sanitário e eliminação de restos culturais. Para a pequena propriedade, o ponto prático é não deixar uma lavoura velha servir de ponte para a próxima e acompanhar plantas com sintomas desde o início.

Em Goiás, a alíquota efetiva do ICMS sobre operações interestaduais com feijão in natura foi reduzida de 6,06% para 2,4%, com vigência prevista de cinco anos. Isso pode melhorar a competitividade em vendas para fora do estado, mas não elimina frete, padrão de classificação ou negociação com o comprador.

Perguntas rápidas

Goiás vai produzir mais feijão em 2025/26?

A estimativa é de 301,6 mil toneladas, com rendimento médio de 2,4 toneladas por hectare. É uma projeção, não o resultado final de todos os talhões.

O preço de R$ 309,38 por saca vale para qualquer produtor?

Não. É uma média de referência do feijão carioca no Leste Goiano em julho. O valor recebido depende de qualidade, local, frete, volume e prazo.

O VBP de R$ 1,8 bilhão é o lucro dos produtores?

Não. VBP é valor bruto estimado da produção. Custos, perdas e despesas de comercialização ainda precisam ser descontados.

Quem planta feijão em Goiás precisa seguir calendário sanitário?

Sim, as regras estaduais citadas incluem cadastro da lavoura, período de semeadura, vazio sanitário nos municípios definidos e eliminação dos restos culturais. Confira a norma aplicável ao seu município antes de plantar.

Para o pequeno produtor, a melhor leitura do levantamento é simples: use a produtividade e o preço como referência, mas decida pela margem do seu lote. Registrar custo, qualidade e data de venda vale mais do que perseguir uma média estadual.