Festival do Abacaxi leva orientação técnica ao norte fluminense: o que conferir no sítio
A cadeia do abacaxi ganhou uma rodada de orientação técnica no norte fluminense. O 1º Festival do Abacaxi & Farinha reuniu produtores em São Francisco do Itabapoana, entre 21 e 23 de agosto, com participação da Embrapa. Para quem cultiva em área pequena, o recado prático é claro: antes de ampliar o plantio, é preciso decidir época de produção, material propagativo, nutrição e canal de venda.
As palestras trataram da modernização da cadeia, da indução floral e do escalonamento da produção. Também houve apresentação da Rede Ananás e visita a trabalhos de validação das variedades BRS Diamante e BRS Sol Bahia. As duas cultivares entram na conversa como materiais em validação naquele polo, não como promessa automática para qualquer município.

O que o produtor deve tirar do encontro
A indução floral pode ajudar a organizar a colheita. O ganho não está apenas em colher mais. Está em evitar que todo o abacaxi chegue ao mesmo tempo, derrube o preço na propriedade e force venda sem classificação. Em uma área pequena, o escalonamento precisa conversar com mão de obra, água, transporte e comprador.
Esse planejamento começa no caderno. Separe os talhões por data de plantio, registre o material usado e marque a previsão de indução e colheita. Depois, confronte a oferta esperada com feira, venda direta, atravessador, agroindústria ou programa de compras. A técnica só melhora a renda quando existe saída para o fruto.
BRS Diamante e BRS Sol Bahia exigem conferência local
A visita da equipe técnica mostrou trabalhos de validação das duas variedades no polo de São Francisco do Itabapoana. Isso é diferente de uma recomendação universal. O produtor deve conferir disponibilidade de mudas ou mudas-semente, origem do material, sanidade, adaptação ao solo e ao clima da própria área.
Também não convém misturar cultivar nova com pacote pronto de adubação. A nutrição deve partir de análise de solo, histórico do talhão e expectativa de produção. Em área arrendada ou recém-aberta, o custo de corrigir acidez, preparar canteiro, irrigar e controlar plantas daninhas pode pesar mais que a escolha do nome da cultivar.
Como transformar a orientação em decisão no sítio
- Faça um mapa simples dos talhões e anote idade, variedade e falhas de plantio.
- Defina uma janela de colheita que caiba na mão de obra disponível.
- Confirme a origem e a sanidade do material antes de comprar.
- Separe o custo de produção do custo de classificação, embalagem e frete.
- Teste a indução e o escalonamento em uma faixa antes de levar a prática para toda a área.
O guia de produção de abacaxi já publicado pelo Agrocim pode ajudar a organizar manejo e comercialização. Mas a decisão final precisa considerar a realidade do talhão: água disponível, relevo, acesso, mercado e assistência técnica na região.
O festival também anunciou o VIII Simpósio Brasileiro de Abacaxi, previsto para 25 a 28 de novembro, em Campos dos Goytacazes. Até lá, vale acompanhar as informações da Rede Ananás e das instituições locais. Para a pequena propriedade, o melhor uso da notícia é preparar perguntas e comparar o resultado da técnica em uma área curta, antes de comprometer toda a safra.
Perguntas frequentes
Onde ocorreu o Festival do Abacaxi & Farinha?
O evento ocorreu em São Francisco do Itabapoana, no norte do estado do Rio de Janeiro, entre 21 e 23 de agosto de 2026.
Quais temas técnicos foram apresentados?
A programação abordou modernização da cadeia, indução floral, escalonamento da produção, novas cultivares e a Rede Ananás.
A BRS Diamante já serve para qualquer propriedade?
Não. A Embrapa informou trabalhos de validação no polo do evento. O produtor precisa conferir adaptação, material disponível, sanidade e manejo local antes de ampliar a área.
Quando será o próximo simpósio brasileiro da cultura?
O VIII Simpósio Brasileiro de Abacaxi foi anunciado para 25 a 28 de novembro, no Centro de Convenções da Uenf, em Campos dos Goytacazes.