Bioinseticida com fungos avança: o que muda no controle de pragas

Pesquisadores da Embrapa e da empresa Efense concluíram um processo industrial para produzir bioinseticidas à base de fungos que atacam insetos. A tecnologia foi testada contra mosca-branca e lagarta-do-cartucho, duas pragas que aparecem em lavouras como soja e milho. A notícia interessa ao pequeno produtor porque pode ampliar as opções de manejo, mas não significa que já exista um produto novo para comprar.

O trabalho juntou fermentação, formulação, armazenamento e ensaios em campo. O ponto prático é separar o avanço da pesquisa da recomendação de aplicação: dose, bula, registro e indicação continuam dependendo de um produto comercial autorizado.

Folhas de soja em imagem contextual para explicar o controle biológico de pragas

O que foi desenvolvido

Os fungos produzem células chamadas blastosporos. Em vez de depender apenas da fermentação sólida usada para obter conídios, a equipe multiplicou esses propágulos em meio líquido. O processo passou por biorreatores de laboratório e chegou a um equipamento industrial de 1.200 litros.

Nos testes de escala, os cultivos alcançaram, em média, entre 1,8 e 2,8 bilhões de unidades formadoras de colônia por mililitro, em períodos de dois a quatro dias de fermentação. A formulação com óleo vegetal e sílica amorfa ajudou a preservar a viabilidade por até 90 dias sob refrigeração.

O que os ensaios mostraram

Em laboratório e casa de vegetação, os blastosporos formulados provocaram mortalidade de 70% a 93% contra lagartas de Spodoptera frugiperda e ninfas de mosca-branca Bemisia tabaci biótipo B, na concentração avaliada de 10 milhões de blastosporos por mililitro. Também houve validação em lavouras de soja durante duas safras, com redução significativa da mosca-branca após aplicações sucessivas.

Esse resultado mostra potencial para integrar o manejo integrado de pragas. Não autoriza repetir a concentração na propriedade. O estudo avaliou formulações e condições próprias da pesquisa. O agricultor só deve aplicar um bioinseticida conforme o rótulo, a bula e o receituário agronômico, quando exigido.

O que muda para a pequena propriedade

  • A oferta de produtos biológicos pode crescer se o processo virar formulação comercial e superar as etapas de registro e produção.
  • O controle não será imediato em todo caso. Fungos dependem de contato, umidade, alvo correto e momento de aplicação; população alta e reaplicação mal planejada reduzem o resultado.
  • O produto biológico entra como parte do manejo. Monitoramento, controle de plantas daninhas, preservação de inimigos naturais e rotação de mecanismos continuam necessários.
  • Não faça multiplicação caseira de fungos a partir da notícia. Sem identidade, formulação e controle de qualidade, o material pode perder eficácia ou trazer risco para a lavoura.

Como se preparar antes de comprar

Em uma área pequena, a decisão começa pelo monitoramento. Registre onde a praga aparece, em que fase está a cultura e se há presença de ninfas, lagartas ou apenas dano antigo. Uma folha com lesão não identifica sozinha a causa.

Quando houver produto disponível, confira se o alvo e a cultura constam no rótulo. Compare intervalo de aplicação, necessidade de mistura, armazenamento refrigerado, prazo de validade e compatibilidade com fungicidas ou inseticidas. Teste primeiro uma faixa curta e marque a população antes e depois. O resultado deve ser medido, não presumido.

Perguntas frequentes

A tecnologia já está disponível para o produtor?

Não há indicação, na notícia, de um novo produto comercial liberado a partir do estudo. O trabalho demonstra viabilidade industrial e pode apoiar o desenvolvimento de bioinseticidas.

Qual foi o alvo dos bioinseticidas?

Os ensaios avaliaram a lagarta-do-cartucho e a mosca-branca, incluindo ninfas de Bemisia tabaci biótipo B.

Posso usar a concentração citada na pesquisa?

Não. A concentração pertence ao ensaio. A aplicação na lavoura depende do produto registrado, do rótulo, da bula e da orientação profissional.

O produto biológico substitui o inseticida químico?

Não necessariamente. Ele pode compor o manejo integrado. A escolha depende da praga, do nível de infestação, do clima, do produto autorizado e do restante do programa.