BRS Carinás chega ao mercado: onde faz sentido plantar a nova braquiarinha
A BRS Carinás chegou ao mercado como a primeira cultivar brasileira de Urochloa decumbens (braquiarinha) disponibilizada comercialmente. A recomendação inicial é para o Cerrado, sobretudo em áreas de solo ácido e de baixa a média fertilidade. Para o pecuarista, a decisão não é trocar o capim no escuro: é conferir se clima, manejo, praga e formação do pasto combinam com a nova forrageira.
O material foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Unipasto. Nos ensaios, apresentou mais forragem e folhas que a cultivar Basilisk, além de maior taxa de lotação e ganho de peso por área. Esses resultados são comparações experimentais. Não significam que toda área de braquiarinha terá o mesmo desempenho.

Onde a BRS Carinás faz mais sentido
A indicação principal é o bioma Cerrado. A cultivar tolera solos ácidos e baixos teores de fósforo, mas isso não elimina a análise de solo nem transforma uma área degradada em pasto produtivo. A publicação técnica da Embrapa descreve resposta positiva à adubação fosfatada e recomenda corrigir o estabelecimento conforme a condição do terreno.
Em regiões semiáridas, os pesquisadores apontam a necessidade de chuva ao redor de 800 milímetros por ano para bom desenvolvimento. Já em solo sujeito a encharcamento, os primeiros resultados foram obtidos em casa de vegetação. A tolerância foi melhor que a do capim Xaraés, mas ainda são necessários ensaios de campo em condições mais severas. Não é uma autorização para plantar em baixada encharcada.
O ganho depende da altura de entrada e saída
Na lotação contínua, a orientação apresentada pelos pesquisadores é manter o pasto entre 20 e 30 centímetros. No pastejo rotacionado, a entrada dos animais ocorre em torno de 30 centímetros e a saída, perto de 15 centímetros. O objetivo é não raspar a planta e também não deixar o capim passar do ponto, perdendo folhas e qualidade.
Para uma propriedade pequena, a régua de manejo vale mais que a promessa do catálogo. Separe um talhão de comparação, anote a altura do pasto, a lotação, a chuva e o ganho dos animais. Sem esse registro, fica difícil saber se a diferença veio da cultivar, da fertilidade, da chuva ou do manejo.
Atenção às cigarrinhas antes de comprar semente
Este é o principal freio da decisão. A BRS Carinás tem resistência às cigarrinhas típicas Notozulia entreriana e Deois flavopicta, mas não apresenta resistência às cigarrinhas do gênero Mahanarva. A publicação técnica também registra suscetibilidade ao nematoide Pratylenchus brachyurus.
Antes de substituir a Basilisk, confira quais pragas aparecem na propriedade e na vizinhança. Uma cultivar com bom resultado no ensaio não resolve sozinha histórico de cigarrinha, semente mal estabelecida, solo compactado ou falta de água. A formação precisa ser acompanhada desde a emergência.
Serve para integração lavoura-pecuária?
Sim, essa é uma das possibilidades destacadas pela Embrapa. Nos ensaios de integração, a BRS Carinás produziu palhada e forragem na entressafra e teve rebrota mais rápida que a ruziziensis comum em determinadas avaliações. A cultivar também pode ser vedada no fim do verão para uso estratégico na seca, desde que o planejamento considere a perda de pastejo durante o período de vedação.
A recomendação para pecuária leiteira ainda está em avaliação na Zona da Mata mineira. Portanto, quem produz leite fora da faixa recomendada não deve tratar os resultados preliminares como indicação definitiva. Para compra, confirme a origem da semente, a cultivar declarada, o lote e a orientação de estabelecimento do fornecedor.
Perguntas frequentes
A BRS Carinás substitui qualquer braquiária?
Não. A recomendação inicial é para o Cerrado, e a resposta depende de solo, chuva, pragas e manejo. A própria pesquisa ainda avalia outros ambientes.
Ela aguenta solo encharcado?
Os testes controlados indicaram tolerância média e desempenho melhor que o Xaraés. Faltam avaliações de campo em encharcamento mais severo.
Onde encontrar sementes?
As sementes são comercializadas por empresas associadas à Unipasto. Confirme estoque, lote, identificação da cultivar e documentação antes de fechar a compra.
Qual é a principal cautela?
Não confundir maior potencial de produção com dispensa de correção, formação e manejo. Também é preciso considerar a suscetibilidade às cigarrinhas do gênero Mahanarva.
Para uma pequena propriedade no Cerrado, a BRS Carinás vale entrar no planejamento quando a área tem perfil de solo compatível, o produtor consegue controlar a altura do pasto e há histórico de pragas conhecido. O caminho mais seguro é começar em um talhão, comparar com a forrageira atual e só ampliar depois de observar a formação e o comportamento na seca.