Seca devasta colheitas de soja e faz preços explodirem 40% no Brasil
A seca devasta colheitas em Mato Grosso e Paraná, onde lavouras de soja amargam perdas acima de 30% em áreas chave. Os preços da soja no mercado interno saltaram 40% desde janeiro, pressionados pela oferta reduzida e demanda externa firme.
Produtores no Centro-Oeste relatam que o solo rachado e reservatórios vazios forçaram cortes na produção estimada em 15 milhões de toneladas a menos pela Conab. Essa estiagem prolongada, pior que a de 2020, afeta desde o plantio até a colheita tardia, deixando cooperados com estoques apertados para o ano que vem.

Regiões mais castigadas pela seca que devasta colheitas
No Paraná, agricultores em Cascavel viram pastagens secarem e soja murchar com chuvas 60% abaixo da média nos últimos meses, segundo boletim da Cocamar. A cooperada local, que esperava 60 sacas por hectare, colheu menos de 40 em boa parte das áreas, forçando vendas antecipadas para cobrir custos fixos.
Mato Grosso, maior produtor nacional, enfrenta o pior cenário com o Pantanal invadindo lavouras e canais de irrigação secos. Relatos de técnicos da Aprosoja-MT apontam perdas de 25% na safra de soja em municípios como Sorriso, onde o radar de satélite do Inpe registrou déficit hídrico contínuo desde maio.
Até no Nordeste, a Bahia sente o impacto em Luís Eduardo Magalhães, polo de grãos, com produtores recorrendo a poços artesianos para salvar o que resta. Um vídeo no YouTube do canal do produtor baiano João Silva, de Barreiras, mostra tratores atolados em terra dura e vagões vazios, ecoando a frustração de quem depende da segunda safra.

Preços da soja disparam com oferta escassa
O volume de soja disponível no mercado brasileiro encolheu, elevando cotações de R$ 180 para R$ 250 a saca em pontos de Mato Grosso do Sul. Essa alta de 40% reflete não só a seca local, mas também a quebra na Argentina, rival que perdeu 20% da safra, conforme relatório da USDA.
Cooperativas como a Coplacana, em Piracicaba, negociam lotes a prazos com ágio de 10% sobre o CBOT, que fechou a semana acima de US$ 12 por bushel. Ruralistas no Rio Grande do Sul, menos afetados, exportam para China e capturam o prêmio, mas alertam para custos de frete subindo junto.
Para quem planta milho safrinha após a soja, a seca devasta colheitas duplas, com Embrapa estimando corte de 10% na produção total de grãos. Técnicas de pivô central salvam partes das áreas irrigadas, mas o investimento alto – R$ 20 mil por hectare – pesa no caixa apertado.
Estratégias para enfrentar a estiagem e lucrar com preços altos
Agricultores em Goiás apostam em seguro rural da Proagro, que cobre até 70% das perdas por seca, liberando recursos para rotação com sorgo mais resistente. Outros, como os cooperados da Coamo no Paraná, diversificam com integração lavoura-pecuária, plantando braquiária em sucessão para pastagem de bovinos.
Empresas de irrigação relatam alta de 50% nas consultas por sistemas por gotejamento, viável para solos arenosos do Cerrado. Universidades como a Unesp de Botucatu testam variedades de soja tolerantes a déficit hídrico, com resultados promissores em ensaios de campo no Norte de Minas Gerais.
O setor olha para El Niño enfraquecendo em 2025, mas La Niña pode piorar o quadro no Norte, afetando soja em Rondônia. Produtores preparam estoques estratégicos, vendendo 30% da safra futura a preços travados acima de R$ 220, segundo plataforma da Agrinvest.
Monitore boletins do Inmet e ajuste o plantio com dados de solo da Embrapa. Cooperativas oferecem linhas de crédito emergencial do Pronaf para recompor pastagens e silos, garantindo fôlego até as chuvas de outubro.